Por Gabriel Alviano

Beshay é um leproso curado, que vive em uma região isolada do Egito. Morando em uma colônia de leprosos ele sobrevive catando peças em um lixão e as revendendo. Após a morte de sua esposa, ele decide sair em busca da família que uma vez o abandonou. Deixando tudo para trás, ele parte para uma viagem ao desconhecido, acompanhado de seu burro Harby e seu amigo órfão Obama.

A viagem que leva dias, passa por diversos cenários do Egito, sendo um clássico Road Trip, levando Benshay a passar por situações que o ajudam e o atrapalham em sua jornada. Tais situações servem para que possamos simpatizar com os personagens e para que eles possam crescer ao longo da história. Mas isso não chega a acontecer de maneira efetiva. Para cada obstáculo, uma solução é enviada pelo próprio filme, por sorte ou por ajuda de personagens que surgem ao longo do percurso. Em apenas um caso, ocorre incidente sem uma reversão, mas esse acontecimento não gera em si algo grande para a história, nem para os personagens que logo se esquecem do ocorrido.

Por um lado isso não chega a ser tão problemático, uma vez que o filme não pode ficar emperrando a cada obstáculo narrativo. Por outro lado, o filme perde uma oportunidade de aprofundar mais os personagens, ao colocar soluções casuais para esses problemas e assim facilitando demais a trajetória do protagonista.

            Apesar dessas complicações, a narrativa se mantém em Benshay encontrar sua família o tempo todo e durante esse trajeto, nosso protagonista sofre com pesadelos sobre o encontro com sua família. Com tudo isso, é de se esperar que o espectador crie uma expectativa sobre como vai ser esse encontro e esse é outro problema para o filme.

             Com um jornada pouco trabalhada e o aumento das expectativas para o encontro entre Benshay e sua família, era de se esperar um clímax comovente ou pelo menos bem resolvido. Ao encontrar a sua família, finalmente vemos Benshay se vendo como realmente é, mas o problema é que antes de sair para encontrar sua família não o vemos com esse conflito interno que o acalma no fim. A desculpa do pai pelo abandono de seu filho também não convence. Através de flashbacks do próprio filme, nos é mostrado que tudo aquilo que Benshay aprendeu em sua jornada, foi graças ao abandono.

            Apesar dos problemas de estrutura narrativa, o filme chega a ser divertido e leve de se assistir. A interação entre Benshay e Obama é muito bonita. Isso se dá pela ótima atuação dos dois atores iniciantes Ahmed Abdelhafiz e Rady Gamal que conseguem carregar o filme pelo seu carisma. Outro ponto positivo é belíssima trilha sonora de Omar Fadel, que acompanha toda a jornada dos protagonistas.

            No fim das contas, Yomeddine pode não ser o filme mais certo para aqueles que gostem de uma narrativa bem construída, mas com certeza é o filme certo para quem busca algo mais leve, sem muito sofrimento e dor aos protagonistas.

 

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