Vem aí a maior temporada da carreira do premiado ator, diretor, autor e professor Eduardo Wotzik. A Cidade das Artes, na Barra, inaugura dia 03 de maio, às 20h, o Encontro com Eduardo Wotzik – 40 anos investigando o Teatro, panorama que dá corpo à obra do artista ao longo de quatro salas do monumental centro cultural do Rio.

A programação destaca momentos pontuais do fazer teatral do artista e acaba por também homenagear o teatro brasileiro de 1979 – ano da profissionalização de Wotzik – até os dias atuais. Na abertura, será inaugurado um perfil com fotos, programas e objetos de cena que jogam luz em montagens como “Tróia”, de Eurípedes, “Yerma”, de Garcia Lorca (montada no CCBB em 1995, ambas com Camila Amado e Clarice Niskier), “Um equilíbrio delicado”, de Edward Albee (que marcou os 50 anos de Tonia Carrero, com Walmor Chagas e grande elenco, em 1999), “Édipo Rei” (com Amir Haddad, Eliane Giardini, Gustavo Gasparani e Rogério Fróes, para citar alguns), entre outras.

À breve retrospectiva afetiva somam-se encenações: a celebrada “Missa para Clarice – Um espetáculo sobre o Homem e seu Deus”, que faz sua primeira temporada na Barra, além do inédito “Hannah Arendt – Uma Aula Magna”, autoria e direção dele, e a leitura dramatizada da comédia “Mim, Chita”, livre adaptação de Wotzik para a biografia da macaca Chita, escrita pelo inglês James Lever e indicada ao Booker Prize – que será a próxima montagem de Wotzik.

São 40 anos dentro da cena, 40 anos de ensaios, ministrando aulas, oficinas e workshops em todo o Brasil. Só na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, foram dez anos. “Tudo que eu sei aprendi com o Teatro”, diz. Por isso, estará à frente de três oficinas, sobre direção, movimento e som (inscrições mediante envio de carta e/ou vídeo de 1 minuto pelo email oficinaswotzik@gmail.com). Grátis.

O Encontro marca também o lançamento do Manifesto do Teatro da Diversidade, síntese da filosofia que o artista aplica no desenvolvimento de seu trabalho. Cofundador do Grupo Tapa, que integrou entre 1979 (ano da criação) e 1989, desde os anos 1990 dirigiu e atuou em mais de 40 espetáculos; parte deles dramaturgia original, outros, livres adaptações. Em conjunto, suas montagens conquistaram prêmios Mambembe, Molière, Shell, e milhares de espectadores Brasil adentro e mundo afora. A Cidade das Artes receberá também as leituras de Trilogia Lorca (formada por “Yerma”, “Bodas de Sangue” e “Dona Rosita, a solteira”), a peça “Estilhaços II” (texto novo do autor) e “Rei Lear”, o clássico de William Shakespeare que Wotzik protagoniza na próxima década. “Cada leitura tem um propósito. Por exemplo, o entrelaçamento das três peças de Lorca revela um importante painel do feminino ao longo do século XX”, explica.

Permanente estudioso, além de Lorca, Wotzik montou Sófocles, Eurípedes, Noel Coward, Molière, Martins Penna, Lima Barreto, Nelson Rodrigues, Albee, Millôr Fernandes, Molière, Emily Dickinson e Domingos Oliveira.Dirigiu lendas como Tonia Carrero, Walmor Chagas, Luís de Lima, Camila Amado, Amir Haddad, Eliane Giardini, Gustavo Gasparani, Ittala Nandi, Analu Prestes numa lista imensa de companheiros. Da convivência com seus pares retirou material para Caosos Cênicos, encontro que acontecerá às quintas-feiras, e reunirá o público junto a consagrados artistas contando histórias – e causos – do teatro brasileiro. “Vamos dividir com o público divertidas e inesquecíveis histórias que ocorreram nas coxias do teatro”, pontua.

Diretora artística da Cidade das Artes, a atriz Bel Kutner destaca a importância do público ter contato com a obra de Wotzik. “O convite para a realização desta mostra evidencia a pluralidade que marca um centro cultural único no Brasil. Estou há dois anos dirigindo a Cidade das Artes e minha porta de entrada para a Cultura é o Teatro, do qual Wotzik é um dos mais importantes representantes contemporâneos”, destaca.

É o próprio artista quem está à frente de toda a coordenação do projeto. “O teatro é a arte do encontro. Será sempre o lugar onde nos encontraremos para nos lembrarmos uns aos outros de que somos humanos. E nesses últimos 40 anos é isso que tenho feito. Sigo encontrando gentes da melhor qualidade. Entes extraordinários”, ele define. Nascido em Copacabana, Wotzik tirou seu registro em 17 de maio de 1979. Formado em Psicologia pela UFRJ, Wotzik construiu um repertório elencando teatro brasileiro, alemão, francês, autores de todos os tempos, contemplando conteúdos diferentes e buscando sempre novas linguagens. Sua trajetória tem se pautado pela diversidade de gêneros, proporcionando ao público que o acompanha, espetáculos absolutamente diferentes a cada obra realizada.

Criador de montagens que foram divisores de água no teatro brasileiro, como “Sonata Kreutzer”, de Leon Tolstói, com Luís Melo, “O interrogatório!”, adaptação da peça de Peter Weiss, montada no formato inédito ao longo de 24 horas na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, e no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, para falar sobre o horror do nazismo, “A Geração Trianon” considerada pela crítica especializada como “Uma aula de Teatro”; a antológica montagem de “Bonitinha Mas Ordinária”, que representou o Brasil em Portugal por ocasião do centenário de Nelson Rodrigues; ainda despontam na sua trajetória o Festival de Teatro Brasileiro, criado por ele, e que durante cinco anos dedicou à pesquisa e montagem de autores nacionais, iniciativa que conquistou o Prêmio Ministério da Cultura Especial de Contribuição ao Teatro Brasileiro.

Em Encontro com Eduardo Wotzik – 40 anos investigando o Teatro o público poderá conhecer de perto um pouco mais do ontem, do hoje e do amanhã deste premiado e tão original artista nascido há 59 anos em Copacabana e que viveu sempre cercado de boa companhia. “Cada um a seu modo, atingiu zonas assustadoramente inesperadas em mim. Provavelmente, sou o resultado do que consegui extrair de cada encontro com essas inteligências cênicas que me vaticinaram a mim mesmo a ponto de eu nesse instante poder estar aqui celebrando, conclui.

Serviço
Encontro com Eduardo Wotzik – 40 anos investigando o Teatro
Local: Cidade das Artes
Abertura: 03 de maio na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Horário: 19h
End.: Av. das Américas, 5300 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ, 22793-080. Telefone: 55 21 3328-5300 | Bilheteria: Ter/Dom, 13h às 19h. Em dias de espetáculo de 13h até 30 min após o início do espetáculo.
[https://www.facebook.com/cidadedasartes]

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