Todo fã de futebol vai tentar explicar a paixão pelo esporte, pelo time, de uma forma, afinal, não existe uma maneira geral de explicar um sentimento, uma emoção. Por outro lado, ao falar sobre a recompensa para todo o sofrimento e ansiedade representada pelo gol, há grandes chances de as declarações serem bem parecidas. É aquele momento em que tudo muda e o ar é preenchido pela euforia, pela felicidade, pelo alívio – é efêmero, mas satisfatório. Agora, imagina quantos gols um grande clube já fez.

Parece impossível chutar qualquer número, então, fica-se apenas com a informação de que o Santos é o recordista mundial em número de gols. E é exatamente esta história que a cineasta Lina Chamie conta no documentário “Santos de Todos os Gols”. Utilizando entrevistas com jogadores que passaram pelo alvinegro praiano, como Pelé, Neymar e Robinho, além de personalidades apaixonadas pelo time e imagens de arquivo que datam desde a fundação do clube, em 1910, a diretora presta uma homenagem tanto ao Santos quanto ao futebol, explorando o lado emotivo com os esportistas e a vertente mais poética com nome como os das jornalistas Mônica Waldwogel e Barbara Gancia, e do crítico de arte Luiz Zanin, o qual, praticamente, assume o papel de narrador que costura está história não-ficcional.

Talvez, este seja o grande acerto da produção: não se prender ao didatismo, ao físico, ao prático, ao concreto – isso ajuda a captar a atenção até do espectador que não gosta de futebol, pois ele se torna disposto a tentar entender (ou, pelo menos, apreciar) toda aquela paixão. Além da abordagem dada ao tema, outros dois aspectos interessantes e muito bem pensados da produção são suas montagem e edição de som – extremamente criativas -, que transformam cada jogada genial e clássica em um ato de dança embalado por uma retumbante ópera – sem falar nos efeitos de foguetes e bombas explodindo, os quais trazem um frescor bem humorado para as imagens.

Outro ponto alto do longa a participação da própria Lina Chamie – santista apaixonada -, o que torna o tradicional monólogo da linguagem documental em um diálogo cheio de emoção – e este é justamente o alvo do filme: transmitir emoção, sendo isso a chave para captar não apenas os torcedores do Santos, mas também os de outros times, e a diretora atinge seu objetivo de forma tão louvável que transforma a experiência de assistir a “Santos de Todos os Gols” em algo, no mínimo, interessante até mesmo para quem não gosta do esporte mais popular do planeta.

 

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