John (Marcel Ruiz), um adolescente de 14 anos em St. Charles, no Missouri, é um menino arrogante, que tem vergonha dos pais, que se acha o maioral. O garoto mora numa cidade, onde todos são muito unidos, vivendo numa verdadeira comunidade que se ajuda e se apoia. Certo dia, John e dois amigos da escola estão brincando num lago congelado pelo inverno quando, de repente, a superfície se rompe e os três caem na água gelada. Por sorte, um senhor estava de olho e prontamente chamou o socorro. Dois dos meninos são resgatados rapidamente, porém Josh leva um pouco mais de tempo para ser retirado – e esses minutos são cruciais para o destino do jovem rapaz.

É neste momento que Joyce começa a exercer o papel fundamental da mãe – interpretado com muita competência pela Chrissy Metz, conhecida por ‘This Is Us’ – . Com um amor e uma crença incansável, Joyce fica ao lado do filho 24 horas, e em nenhum momento pensa que o filho não irá sobreviver. Ao contrário, sua obstinação e certeza de que tudo irá dar certo beira o sensível limite da negação, recusando-se a acreditar e aceitar o que aconteceu com John. Essa negação por vezes beira a arrogância, e sobra patadas para todos aqueles que ousam falar qualquer coisa negativa perto do menino.

Se por um lado a obstinação de Joyce não admite ouvir outra possibilidade que não a da sobrevivência de John, por outro é justamente a força dessa crença que conduz o filme. Chrissy Metz entrega uma mãe completa, com todas as coisas boas e ruins que as mães têm, e carrega o filme com tanta entrega, que é impossível não sentir sua dor.

Também compõem o elenco Topher Grace, de ‘That’s 70s Show’, no papel do saidinho Pastor Jason; Sam Trammel, de ‘True Blood’, como o primeiro médico que atende Josh; e Josh Lucas, como Brian Smith, o pai do menino que é julgado pela própria esposa por não ser tão positivo quanto ela. Apesar dos nomes famosinhos, todos eles funcionam como personagens de composição para que Crissy Metz se desenvolva.

Superação: Um Milagre de Fé tem como alavanca a fé cristã dos personagens, mas não faz sua base nisso. Ao contrário, mostra o silencioso contraste entre religião e ciência, entre acreditar e comprovar, entre tentar controlar e deixar nas mãos do destino. Por isso mesmo é um desses filmes que fazem refletir, ideal para a semana da Páscoa.

 

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