Neste domingo, 02 de junho, chega ao fim a quinta edição do Festival Atos de Fala que ocupa o Centro Coreográfico na Tijuca desde o dia 28 de maio, com exposição, performances, palestra-intervenção e laboratório artístico apresentados por renomados artistas nacionais e internacionais. Idealizado, dirigido e curado por Felipe Ribeiro e Cristina Becker, a quinta edição do festival traz como mote “Escapar do Capataz”. “O capataz é essa forma mascarada de poder que se institui em várias esferas do nosso país mas também pelo mundo, e que nos remete à pergunta: como escapar de seus tentáculos? Os artistas e obras foram convidados, cada um à sua maneira, a manterem essa pergunta ativa”, destaca o curador Felipe. O Atos de Fala este ano acontece ao redor do laboratório Devorar e ser devorado, que teve início em Zurique, em abril. A ação levou artistas brasileiros ao festival zürich moves! e agora chega a sua etapa final no Rio sacramentando essa importante troca artística entre Brasil e Europa.

Nesta reta final a programação será composta no 31 de maio por duas atrações que estiveram no Festival zürich moves!, na Suíça, Às 19h, Victor Oliveira traz a performance Pôr Nu ao AdF, investigando relações de proximidade radical, onde a subjetividade da plateia é confrontada com um corpo nu, em estado de emergência. Às 20h, Wellington Gadelha apresenta Gente de Lá, um solo de dança contemplado pelo Rumos Itaú Cultural e que tem como material dramatúrgico a sobrevivência do corpo preto-urbano-favelado, indo desde as chacinas cotidianas na cidade de Fortaleza até o massacre estrutural da população negra no país. Gente de Lá compõe ainda a plataforma Afrontamento, da qual Gadelha é fundador.

Completando o time de artistas que apresentaram seus trabalhos na Suíça, à ocasião da primeira fase do laboratório, Marcela Levi e Lucía Russo ocupam o fim de semana do festival com a nova formação de Mordedores, nos dias 01 e 02 de Junho. A peça que estreou em 2014 é remontada à luz dos enormes ruídos de comunicação atuais e as selvagerias produzidas pela boca.

Compass é a montagem internacional que encerra o festival. A peça de Simone Aughterlony, e das croatas Petra Hrašćanec & Saša Božić, se apoia no nomadismo dos marinheiros para construir sua percepção e poética.

Durante todos os dias do festival, o saguão do Centro Coreográfico abriga a instalação fotográfica de Flávia Naves “Quem Matou Marielle¿\Quem mandou matar Marielle?”. Há mais de um ano, a artista imprime esta frase em stencil em todas as suas roupas vivendo sob o efeito desta pergunta. Agora, a performance entra em um segundo momento, e Naves frequenta pontos turísticos com um totem que traz seu corpo com a pergunta estampada e a cabeça vazada. O objeto, comum em atividades lúdicas, onde pessoas se fotografam em outro corpo, ganha agora qualidades contraditórias. O público de AdF.19 poderá ter acesso às fotografias que registram diferentes momentos da ação.

O encerramento traz ainda uma programação musical especial. Radicado na Suíça, o artista negro Ivy Monteiro apresenta sua performance-mixtape onde exercita o afrofuturismo como uma forma de reverenciar seus antepassados. Intitulada Trinta y Dois Igual a 5, esta performance precede o baile de Voguing encabeçado pela Casa de Cosmos. Esta programação acontece no Centro de Arte Maria Teresa Vieira, localizado na Rua da Carioca, 85 – Centro. A programação completa está no site atosdefala.com.br.

Esta troca entre festivais só se tornou uma realidade graças ao apoio da Pro Helvetia por meio do seu programa Coincidência, da swissnex Brazil e do Goethe-Institut Rio de Janeiro, três instituições que se demonstraram comprometidas não apenas em promover suas artes no Brasil, mas principalmente com o fortalecimento dos laços entre nossos artistas e os artistas radicados na Suíça e na Alemanha. O Festival considera a mudança de abrangência de foco dessas instituições como seminais no desenvolvimento das relações bilaterais entre os países, e de especial responsabilidade neste momento político em que vivemos. “O momento atual força-nos, enquanto festival, a pensar em uma maior internacionalização de nossos artistas. Atos de Fala considera este intuito tão importante quanto a presença de peças estrangeiras em sua programação. Afinal, é missão do festival encontrar maneiras para que a arte brasileira siga persistindo e colocando-nos suas questões”, finaliza a curadora Cristina Becker .

SERVIÇO:
Festival Festival Atos de Fala
Temporada: 28 de maio a 02 de junho
Local: Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro ( Rua José Higino, 115 – Tijuca)

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