Por Gabriel Alviano:

A saga X-Men chega ao seu fim, pelo menos nas mãos da Fox que lotavam salas de cinema desde 2000. No total foram sete filmes do grupo, que ajudaram a popularizar os filmes de super-heróis para pessoas de fora desse nicho. Com duas fases distintas, os mutantes tiveram uma trilogia principal encerrada em 2006 com X-Men: O Confronto Final – que adaptava a saga da fênix dos quadrinhos- e ressurgindo em 2011, com uma nova leva de atore e serviu para contar o início dos X-Men, que chega ao seu fim agora em 2019, também adaptando a saga da fênix dos quadrinhos.

Até seu lançamento, o filme passou por diversos problemas, foram meses de refilmagens, atrasos na pós-produção, a compra da Fox e muitas alterações para sua estreia, o que frustrou muitos fãs. Finalmente, X-Men: Fênix Negra chega a todos os cinemas do mundo, o que nos leva a questionar, valeu a pena esperar?

O filme começa com um flashback, mostrando uma pequena Jean Grey causando um acidente de carro que causa a morte dos seus pais. Devastada, ela é encontrada por Charles Xavier, que a convida para sua escola, onde irá aprender a dominar seus poderes. Pulando para os anos noventa, vemos os X-Men, formado pelos mesmos integrantes de X-Men Apocalipse serem convocados para uma missão no espaço, onde Jean se sacrifica e acaba recebendo a força fênix, uma energia espacial poderosíssima, capaz de destruir planetas.

A premissa, até que é interessante, os fãs finalmente verão os X-Men no espaço, e a esperança de que teremos uma boa adaptação de Fênix Negra se mantém até os primeiros vinte minutos de filme, mas logo é esquecido. Assim como toda a saga dos X-Men, o filme é recheado de incoerências, tanto por parte dos personagens quanto da narrativa. Além de ignorar completamente pontos importantes dos anteriores.

Por um lado, temos um grupo mutante liderado por Xavier, que é amado por todos,que recebe homenagens do presidente e tem apoio da população. Isso não seria um sério problema, se no outro, o grupo liderado por Magneto, se refugia em Genosha, como se os mutantes fossem oprimidos pela sociedade. O mesmo personagem, que a dois filmes atrás tentou assassinar o presidente dos Estados Unidos e que tem um discurso de superioridade mutante, tem uma mudança radical nesta produção, ao morar em um local doado pelo governo.

O filme se apressa em fazer as coisas acontecerem, e temos pouco respiro para os diálogos e o desenvolvimento dos personagens. Isso pouco atrapalha o núcleo principal, que conhecemos bem, mas os antagonistas sofrem por esses problemas narrativos, sendo meramente vilões malvados que querem acabar com o mundo.

O foco de antagonismo é complicado, o filme não consegue decidir quem será a grande ameaça, Jean Grey? Professor Xavier? Magneto? Raça Alienígena? Nenhuma das opções tem o tempo necessário para se desenvolver corretamente, todos são jogados na história e seus atos são automáticos, fazendo com que as batalhas não sejam emocionantes.
Essa correria é notada durante toda a história, inclusive no final. A transição do segundo para o terceiro ato é tão repentina e discreta, que causa certa estranheza quando nos damos conta que o filme está caminhando para o clímax, que passa tão rápido quanto o Mercúrio.

Apesar da dura crítica, o filme tem alguns pontos bem interessantes, toda a utilização de poderes é bem-feita. Em determinada cena, vemos o grupo do Magneto lutando com o grupo do Xavier para simplesmente atravessar uma rua. Porém, com cada mutante usando seu poder para atrapalhar outros, a cena consegue se tornar mais interessante. Os efeitos especiais, e toda a parte de pós-produção como um todo, também estão muito bons, desde o efeito para mostrar a força fênix, até as cores usadas na demonstração de poderes, mas não seguram o filme.

Todos os pontos principais são interessantes, mas o filme falha na execução. Tais erros, porém, não são méritos desse filme. X-Men tem uma longa trajetória de linhas confusas e filmes mau executados, por conta disso, sua conclusão não seria tão diferente assim.
Infelizmente a saga X-Men não teve o fim que merecia. Sendo um dos mais curtos, a impressão que se passa é que eles queriam colocar nesse, tudo o que não colocaram nos outros. Mesmo com essa pressa e com seus defeitos, o filme pode agradar seus fãs, que ainda tem aquele gosto amargo de Apocalipse e Dias de um futuro Esquecido.

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