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“Pegadas Lamacentas” no Espaço Cultural Olho da Rua

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Interativos e com estrutura performativa, peça propõe um debate acerca do universo feminino e feminista com as peculiaridades que estes possuem. Do sangue menstrual a estereotipagens e objetificação do corpo da mulher, o que não falta em cena é discussão sobre a luta, a resistência e o papel da mulher diante o capitalismo, além das práticas políticas e o machismo ainda exercido na sociedade contemporânea, tudo favorecido pelo patriarcado imperativo.

“O sangue menstrual é um tabu milenar em praticamente todas as culturas, sendo visto como algo asqueroso e de mau odor. As grandes empresas de absorventes nos vendem uma ilusão de liberdade e segurança e, há anos, as mulheres vêm sendo induzidas a não pensar sobre seus ciclos menstruais. Ou seja, há muito tempo a nossa natureza vem sendo calada. Portanto, fazer as pazes com o nosso sangue menstrual é o primeiro passo para nos reconciliarmos com o nosso ‘feminino’, que entendemos se tratar de uma energia maior e universal, encontrada tanto em mulheres como homens”, defende Allegra Ceccarelli, responsável pela concepção de “Pegadas…” ao lado de Savina João.

Embora o assunto de rara discussão pública possa causar estranhamento inicial, o desenvolvimento dos espetáculos é feito de modo positivo e inspirador, a partir da análise de novos contextos. “As linguagens de nossas performances são ora ácidas, ora cômicas, mas também poéticas e catárticas. Realizamos uma experiência artística e democrática, feita para todXs”, pontua Allegra, que integra o elenco e concebeu o argumento das duas peças. “Para a Baubo a arte é ritualística, sagrada e profana ao mesmo tempo. Aliás, a ‘energia feminina’ fala sobre isso: estamos todos juntos e somos um só, compartilhamos assim responsabilidades e afetos”, reforça.

O sangue é assunto presente em ambas as montagens: em “As fraquejadas…”, cuja narrativa também reflete a discussão presente no livro “A política sexual da carne” (Carol J. Adams), a alimentação carnívora e o feminicídio servem de mote. “A escalada da violência doméstica nos lembra diariamente que nós, mulheres, somos tratadas como mercadorias ou propriedades dos homens. O corpo nu, em cena, tem por função denunciar essa objetificação sistemática e perversa”, alerta Savina.

Encenadas ao longo do processo de criação em festivais, as performances estreiam oficialmente no Rio de Janeiro propondo reflexão e olhares alternativos ao público. “O mundo está mudando e acreditamos que isso passará necessariamente pela ação política das mulheres. A cultura e a educação serão aliadas para a revolução no quadro de mentalidades que precisamos realizar”, observa Jessica Madona, performer convidada para a presente temporada. “Entendemos que as nossas obras cumprem o papel de observação, diagnóstico, aprendizado e oferta de olhares alternativos à logica dominante do capitalismo e do patriarcado em que vivemos”, finaliza Allegra.

SERVIÇO:
“PEGADAS LAMACENTAS”
Temporada:07, 14, 21 e 28 de Junho
Horário: Sextas-feiras – 19h
Local: Espaço Cultural Olho da Rua (Rua Bambina, nº 6 – Botafogo – Rio de Janeiro)

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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