Inspirado na obra homônima do Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr, a direção acurada de Quitéria Kelly garante uma visão atual e tira dos atores algo de brilhante durante a encenação.

O texto conjuga reflexões sobre o papel de uma região e como ela é tratada na esfera nacional com aberturas para inserções de boa interpretação por três atores afinados. “A invenção do Nordeste” impressiona a versatilidade dos atores.

  Há várias incursões pela política, em pequenos comentários e jogando para plateia imbróglios referentes a personagens atuais da política, que em verdade estão presentes no cenário e no campo semântico nacional há muito tempo, como coronéis e charlatões político-religiosos.

A peça oferece uma visão original e polivalente do que é o povo e o indivíduo, homem do nordeste. São apresentadas facetas da personalidade das pessoas daqueles Estados, mas deixando a brecha para o caráter indescritível e indecifrável do que vem a ser um nordestino.

Alguns recursos cênicos são utilizados, mas a base do espetáculo é mesmo a dramaturgia e o trabalho performativo dos intérpretes junto com slides projetados e uma iluminação   para reflexões e boas tiradas.

O percurso narrativo pela região brasileira tem como pano de fundo o teste-seleção feito por dois atores que pretendem desempenhar um papel de nordestino em uma produção. “Pode um nordestino fazer papel de um nordestino?”, esta pergunta é feita e respondida durante a trama-exposição na qual se desvela o tema regionalista.

Uma verdadeira viagem pelo fio constitutivo da identidade nordestina é feita. Durante esse teste-seleção, workshop, pelo qual passam esses atores, guiados por um preparador de elenco – interpretados por Henrique Fontes, Mateus Cardoso e Robson Medeiros -, há um tom de crítica acerca, mesmo, do tratamento que o Sudeste e uma atual classe dominante enfadonha dão às coisas que vêm desse local tão rico e que exportou grandes talentos e que teve criações importantíssimas que nos ajudaram a construir, a inventar o Brasil de hoje. As divisões e segregações brasileiras são rediscutidas.

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