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Estou me guardando para quando o Carnaval chegar: Documentário expõe realidade do agreste pernambucano

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O agreste é uma zona do Nordeste que separa o sertão do literal, e que se estende por vários Estados nordestinos. Dentro dessa área há a cidade de Toritama (“Terra da Felicidade” em Tupi-guarani), município de Pernambuco conhecido principalmente por sua produção de jeans. O município, de apenas 40 mil habitantes, corresponde a 20% de toda a produção nacional de jeans. O diretor do filme, Marcelo Gomes, começa o documentário com um ar nostálgico por ser a terra de seu pai, e inicialmente parecia ser uma obra mais biográfica, contudo ele encontrou uma realidade que vive escondida no Brasil, e no mundo, a escravidão moderna. Para deixar claro, em momento nenhum é dito a palavra escravidão no longa, porém não é preciso, porque a medida que Marcelo vai recolhendo relatos dos moradores, o quadro vai se formando.

Existem as fábricas com seus funcionários de carteira assinada, horário de entrada e saída, direitos do trabalhador e tudo mais, do outro lado existem as produtoras de fundo de quintal chamadas de facções, onde a realidade é exposta. Ali todos são autônomos, trabalham o quanto querem e ganham o que produzem. Uma costura de zíper custa 20 centavos a unidade, se fizer mil por dia são 200 reais por dia, como contou uma jovem costureira, ao saber desses números que a ficha cai, e percebemos que aquelas pessoas vivem para trabalhar. Crianças, adultos, e idosos, toda a população de Toritama vive pelo trabalho infinito e por sonhos humildes, são escravos deles mesmos porque não tem outra opção, eles não foram apresentados a outra coisa na vida.

O terceiro ato apresenta a figura onipresente do Carnaval, o único momento de descanso dos toritamas, oito dias de descanso por 357 dias de trabalho. Essa data é levada a sério para eles, a ponto de venderem qualquer coisa que tem para poder pagar a viagem ao litoral, e não há exagero. Eles vendem geladeira, celulares, televisores, qualquer coisa que não faria falta nesses dias de folga. Quando voltam para a cidade eles compram suas coisas de volta, ou melhor dizendo, trabalham incansavelmente para poder comprar de volta.

A equipe de filmagem financiou a viagem de uma das famílias para o litoral, em troca eles gravariam suas atividades para o filme. Essas gravações mostram um povo tão feliz, humilde que vive apenas nesse período de oito dias. A palavra final do documentário é que o que transpira pela pele dessas pessoas é esperança, pelo Carnaval do ano seguinte ou por uma vida melhor. O duro é perceber que essa é apenas uma cidade pequena, em meio a um país de 200 milhões de habitantes, quantos milhões vivem nessa condição de escravidão autoinfligida?

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