O bizarro, porém simpático, boneco assassino, Chucky, é um dos símbolos da cultura pop cinematográfica de terror, ou seja, sua sombra é algo que estende-se por um longo caminho, dificultando qualquer nova adaptação. Graças a Deus, o diretor, Lars Klevberg, criou um milagre magistral do entretenimento puro. Uma obra que pode vir a se tornar um dos clássicos da nova geração.

Na versão de 1988, o tom era muito mais sério, e existia a magia que transferiu a vida do assassino para o boneco (com a clássica frase: “Me dê o poder! Eu imploro!”). Para inovar o roteirista, Tyler Burton Smith, trocou a magia pela tecnologia, o que possibilita fazer-se tramas mais interessantes. O boneco, Buddi, é o mais novo produto da Kaslan, que se conecta com todos os produtos da empresa através da nuvem (como Google Home, ou a Siri da Apple, ou a Alexa da Amazon), os produtos da Kaslan variam de televisores a carros automáticos. Buddi possui uma espécie de inteligência artificial, na qual ele vai aprendendo com seu dono, e com isso aperfeiçoando-se, porém no caso de Chucky, ele não tem filtros já de fábrica. Portanto, ele é uma A.I. com liberdade para aprender a amar, odiar, e matar, obviamente.

É uma trama bem no estilo da série “Black Mirror”, com forte crítica a essa entrega cada vez maior que o humano tem tido com a tecnologia, e como uma empresa pode monopolizar todo um mercado. A crítica é feita de maneira cômica e terrível, pois Chucky não começa mal de imediato, ele aprende a ser violento (outra crítica, pois afinal são nossas experiências que nos definem), e que gore espetacular há neste longa. Não o tipo nojento, mas aquele que nos obriga fazer uma sucção de alta pressão com a boca, que apenas simboliza a empatia com a dor sentida na tela.

O protagonista, Andy, é interpretado pelo jovem Gabriel Bateman, que apesar da pouca idade, fez um trabalho excelente. Assim como Mark Hamill, que dublando o boneco assassino, dispensa comentários, sendo um dublador altamente reconhecido (em papéis de animações como Coringa, o Senhor do Fogo Ozai de Avatar, e Saltitão de Apenas um Show).

O diretor soube muito bem criar várias camadas que alternam o gênero do filme de forma muito simples, ele vai da comédia (excelente, por sinal) para o verdadeiro terror, que dá o gancho para voltar a comédia. Criando assim uma atmosfera de cinema pipoca divertidíssima. Também são introduzidas referências a filmes clássicos da época, como Evil Dead, Massacre da Serra Elétrica, Robocop, ET, e até mesmo Star Wars.

Justiça seja feita que é necessário certa suspensão de descrença quanto a parte tecnológica. A bateria do boneco é infinita, e eles se referem a nuvem como uma coisa só (o que não é, são várias mediante a empresa que a tem), mas o filme tem um clima tão bem construído que esses fatos não importam nada. É um verdadeiro milagre que tenham conseguido fazer um remake tão respeitoso, trazendo aspectos novos e com personalidade própria. Sem dúvida, Brinquedo Assassino foi uma ótima surpresa para 2019.

 

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