Mara (Tallie Medel) e Jo (Norma Kuhling) são amigas desde a escola e, mesmo agora, já chegando aos 30 anos, nunca se afastaram uma da outra – relacionamentos amorosos começam e terminam, mas as duas continuam juntas, apesar de suas personalidades absolutamente distintas. A primeira, que trabalha como professora assistente, é mais reservada e possui alguma estabilidade emocional nos mais diversos setores da vida. Já a segunda, uma assistente social que vive mudando de emprego por causa de seus constantes atrasos e faltas, é o exato oposto e, após mais um problema profissional, torna-se cada vez mais exigente e carente em relação a sua única amiga fixa.

Esta é a linha condutora do quinto longa da esparsa filmografia do crítico e cineasta Dan Sallitt – cujo primeiro filme foi lançado em 1986 – e, basicamente, trata de um tema que ninguém gosta muito de pensar: que os amigos crescem, fazem escolhas, e começam, pouco a pouco, a se afastarem. E, além disso, a produção ainda traz uma importante discussão sobre saúde mental por meio da personagem de Kuhling – não fica claro se Jo sofre de uma depressão escalante ou se há ainda um quadro de bipolaridade, além do vício em diversas substâncias. De qualquer forma, a atriz consegue dar credibilidade ao arco, indo de uma jovem mulher frívola até uma pessoa afogada pela depressão e pelos vícios.

Do outro lado, Medel – que protagoniza a maior parte das cenas do filme – se sai muito bem dando vida à antítese de Jo. Ela interpreta a amiga que, findada a juventude, busca uma estabilidade em sua vida adulta e começa a se cansar do papel de boia de salvação de Jo, que, em meio às suas crises, liga para Mara e a pede para ir ao seu apartamento no meio da madrugada e, depois, declara que foi apenas um pequeno surto de ansiedade, mandando a amiga de volta para casa. Agora, Mara já é uma mulher adulta, que tem seus próprios problemas, interesses, necessidades e não quer mais se preocupar apenas com os problemas de Jo, que se recusa a procurar um tratamento.

No entanto, apesar da trama densa – principalmente durante o terceiro ato –, o diretor busca uma abordagem naturalista, desde a cinematografia até as interpretações, dando um tom quase voyeurista à produção. Porém, apesar de esta escolha humanizar as personagens, o cineasta acaba por alongar cenas muito além do necessário – inclusive, algumas não possuem qualquer relevância para a história, o que causa uma sensação de inchaço do enredo, o qual só recupera o fôlego nos vinte minutos finais, que levam a uma conclusão melancólica e emocionalmente exigente, tanto das personagens quanto do público, resultando em um filme que pode não ser o mais agradável ou interessante de se ver, mas apresenta uma discussão necessária.

 

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