Imagine um funcionário público do pior tipo. Aquele cara de cartório que demora três horas tomando café e dois minutos trabalhando de verdade, que te trata como se você fosse um inseto irritante, pois esse seria o personagem de Leandro Hassum, Ancelmo, em sua nova comédia O Amor dá Trabalho.

A história começa logo após Ancelmo morrer (da forma mais irônica que um funcionário público poderia morrer), ele precisa realizar alguns trabalhos para merecer ir ao céu, e pra encurtar esse processo logo, ele pega um trabalho dos grandes. Sua missão é unir os personagens de Flávia Alessandra e Bruno Garcia, reacendendo o amor dos dois.

Esse longa, com o roteiro de Ale McHaddo (que também dirige) e Luiz Felipe Mazzoni, é repleto de altos e baixos em sua história. De um lado existe uma criatividade cheia de referências (como Todo Poderoso, de Jim Carrey, e também ao estilo de comédia de Jerry Lewis), porém há os ônus que essas mesmas referências pedem. Esses ônus são na realidade clichês que passam do aceitável, tornando-se apenas desnecessários, além do exagero nas atuações cômicas. O estilo humorístico de Hassum sempre foi um humor que utiliza muito do físico, de trejeitos e vozes, da mesma forma que Jerry Lewis (a maior inspiração de Hassum), esse tipo de comédia corre o risco de tornar-se exagerada em demasia, sendo apenas ridícula sem ser engraçada, contudo, esses pequenos lapsos de exageros são bem contidos pela direção. Ale fez um trabalho admirável com essa comédia tentando trazê-la bem próxima ao teor fantástico que a premissa do roteiro sugere. Nas cenas em que Ancelmo está no Além, McHaddo usa planos de câmera para mostrar a qualidade da produção, que optou por um carismático estilo cartonesco.

Ainda nas qualidades criativas desde longa, a escolha de elenco para representar as múltiplas divindades da cultura humana, nessas cenas tem coisas realmente geniais, dignas de gargalhadas. Como todo o resto do elenco tem um ritmo de comédia muito bem afinado, ninguém fica fora do ritmo.

Agora, os ônus de recorrer a clichês são todos pagos no terceiro ato, em que se faz necessário uma suspensão de descrença considerável, afinal é o único jeito. A solução final que o roteiro toma é, de certa forma, preguiçosa. Encerra de vez a história, ao invés de criar pequenas histórias abertas, que poderiam até render uma nova série de comédia para a Globo. Todo filme tem pontos ruins, a sorte de O Amor dá Trabalho é que basta não pensar muito, e essas fraquezas passam despercebidas. É mais para se divertir, sem pensar, um filme despretensioso!

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here