Por anos, e ainda hoje, portadores de Síndrome de Down foram taxados como inválidos, ou com títulos ainda mais humilhantes e ofensivos. Mas já é amplamente sabido que portadores de Down são capazes de terem vidas totalmente normais, com estudo e emprego de sucesso. Neste longa o diretor Federico Pondi traz em sua protagonista, Dafne (Carolina Raspanti), uma jovem adulta de forte personalidade, inteligência e coração de ouro. Após a morte da mãe, a jovem e o pai (Antonio Piovanelli) tem que criar uma conexão que até o momento não tinham.

Um parte interessante sobre este filme é que ele não é sobre a Síndrome de Down, a doença apenas é um dos fatores que orbitam a trama, mas o foco principal é a relação entre pai e filha. O roteiro tem um ritmo arrastado, até demais, demorando em demasia para chegar ao ponto que pretendia, se mostrando ser um filme de viagem.

Em contrapartida disto, o texto em si é muito bonito e sincero, demonstrando a relação simples de poucas palavras que definem muitas relações familiares. E mesmo com poucas palavras o cerne dos personagens é entendido facilmente, suas dificuldades e qualidades. A protagonista, que encabeça o título, tem um excelente humor ácido e sincero, sem falar na excelente atuação de Carolina.

Em sua fotografia, Federico faz uso apenas de luz natural, sem interferência de luzes artificiais, e através dessa claridade orgânica que a beleza da técnica se junta com a arte do roteiro. A edição é bem direta, cortes secos sem dar espaço para transições muito elaboradas.

O filme, mesmo que indiretamente, trata dos usuários com Down de maneira muito sensível, não como pobres coitados que precisam de ajuda por terem tal condição, são humanos que podem superar qualquer obstáculo.

 

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