Longe da Árvore é um livro escrito pelo psicólogo Andrew Solomon, que por 10 anos pesquisou a vida de famílias que tinham filhos que não se adequavam ao “normal” estabelecido pela sociedade. O autor entrevistou mais de 300 famílias onde existiam filhos excepcionais ou diferentes: portadores de síndrome de Down, anões, portadores de doenças múltiplas, esquizofrênicos, homossexuais, transsexuais e até menores infratores. O objetivo da pesquisa era tentar entender as expectativas familiares e suas diferentes formas de superação quando uma criança não correspondia às tais expectativas.

Com essa premissa, foi lançado o documentário de mesmo nome, dirigido por Rachel Dretzin, que aborda não só histórias de diferentes famílias, mas também a do próprio autor do livro, que conta sobre a tristeza que se abateu em sua casa quando ele se assumiu homossexual e sua trajetória em busca de aceitação dos pais e dele mesmo.

Com uma enorme sensibilidade, Rachel faz questão de colocar no filme não apenas as dificuldades enfrentadas por pessoas com alguma habilidade especial, mas principalmente, mostrar como é possível viver e ser feliz em meio às adversidades. O documentário traz pessoas totalmente diferentes umas das outras contando suas experiências e suas buscas ao longo da vida de uma identidade e de um lugar ao qual se sintam pertencidas, além de discutir também como foi o processo para que os pais se adaptassem aquela criança e pudessem cuidar e enxergar ela da forma com que nasceu, não como um defeito, mas como uma singularidade.

O diferente no foco que Rachel e Solomon dão ao que eles estão tentando transmitir é que não existe e eles não querem que exista uma cura para aquelas condições, é sobre se aceitar e ter orgulho de si mesmo naquelas condições. O autor diz que, em 40 anos, muita coisa mudou a respeito de como as pessoas enxergam a diversidade sexual, o que antes era considerado uma doença, hoje é motivo das pessoas levantarem uma bandeira pra dizer “sim, esse sou eu”, nas palavras de Andrew Solomon: “Como chegamos até aqui? Como algo que era considerado uma doença acabou se tornando uma identidade? Depois de ver meu suposto defeito ser celebrado, eu me pergunto se o defeito propriamente dito não seria apenas uma questão de ponto de vista?”

Além de bonito, Longe da Árvore é um filme extremamente importante, por dar uma representação para muitas pessoas que normalmente não encontramos no cinema. É poder dar um lugar de fala, sair da mesmice e do padrão, é te colocar em uma realidade totalmente diferente e existente. É um filme real, mas não doloroso. É um filme que te diz que todo mundo pode ter seu próprio final feliz.

 

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