Esta é, primordialmente, uma comédia inspirada em estereótipos e com um forte teor de obsolescência, uma vez que se baseia em padrões ultrapassados, os quais, inclusive, são muito criticados hoje em dia. Dito isso, é necessário ressaltar que a premissa é até interessante e poderia render uma trama divertida, se a produção – escrita, dirigida e protagonizada por Carles Alberola – soubesse usar os elementos que propõe. No entanto, o longa pretende ser uma reflexão existencial, mas acaba sendo apenas antiquado.

 Desta forma, o enredo conta a história de Ruben (Alberola), um professor e escritor de 50 anos, divorciado, inseguro e ansioso – um completo desajustado social, que nunca se acha bom o suficiente em nada, seja no âmbito profissional, seja para arrumar uma companheira. Diante deste panorama, o longa não se cansa de tentar fazer humor em cima disso, de forma pouco eficaz e repetitiva, utilizando o que há de mais cafona no gênero Comédia.

E tudo isso se acentua quando Raquel (Cristina Garcia) e Jaume (Alfred Picó), um casal amigo, arruma um encontro às cegas para o protagonista com a irmã da mulher, Pilar (Rebecca Valls), que é a personificação estereotipada da “mulher dos sonhos”: com o corpo perfeito, independente, e sexualmente livre – o que é considerado seu maior mérito -, uma aventureira que – como uma cena faz questão de ressaltar – tem 50 anos, mas “aparenta ter 40”.

Estes são apenas alguns dos exemplos de inadequação desta pretensa comédia ao período histórico em que ela foi lançada, mas há outros, como a forma que a produção trata Raquel, uma mulher de 40 anos que pensa não servir para nada e vive em função de conseguir a aprovação dos homens que a cercam. Há, ainda, a maneira com que o roteiro, constantemente, molda Pilar para que ela caiba na forma de mulher que seria irresistível a qualquer homem, ignorando qualquer desenvolvimento de personagem.

E, como se o filme já não tivesse feito muitas escolhas equivocadas, o roteiro faz questão e sempre diminuir/amenizar toda e qualquer atitude moralmente repreensível das personagens masculinas, ignorando totalmente as consequências e o impacto que estas ações têm, principalmente sobre Raquel. Assim, “O Homem Ideal?” é uma comédia que não tem receio algum de se mostrar machista, utilizando-se de clichês e estereótipos ultrapassados, tanto no espectro social quanto no cinematográfico e cômico. Talvez, o único ponto positivo da produção seja sua estrutura teatral – já que a história é adaptada de uma peça -, porém, outros filmes já fizeram isso antes, então, não chega nem a ser algo original.

 

 

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