Mudanças internas na direção de um colégio provocam a substituição de um professor de história do ensino médio. Humberto Arthur Emílio Ernesto Baptista assume o cargo e está diante de sua primeira e inesquecível aula inaugural. Esse é apenas o ponto de partida para uma série de questionamentos sociais e morais apresentado pelo personagem título e que tem como pano de fundo o cenário atual da educação brasileira. “O Substituto” fará apenas 3 únicas apresentações nos dias 20, 21 e 22 de setembro no Teatro Arthur Azevedo em Campo Grande na sexta e sábado às 20h e domingo às 19h.

“O Substituto” reúne pela segunda vez o trio Maria Maya, Alexandre Lino e Daniel Porto em uma nova investigação pelo teatro documental. Depois de apresentarem com sucesso de crítica de público a peça Lady Christiny; diretora, ator e autor se encontram oportunamente para falarem sobre temas atuais da sociedade, incluindo questões que dividem opiniões. Sozinho no palco, Alexandre Lino conta com a participação do público como seus alunos durante a aula espetáculo.

– Quando idealizamos um projeto estamos sempre projetando conquistas e expectativas. Com essa peça foi diferente. Durante o processo percebemos que eram assuntos tão emergenciais e muitas vezes apresentado de forma tão indigesta que se tornaram maior do que nós. Este professor é tão real aos olhos de qualquer um que pode gerar empatia, ódio, risada, deboche ou qualquer outro sentimento – diz Lino.

Recebida com entusiasmo pelo público em sua pré-estreia na 7ª Mostra de Artes Cênicas Tiradentes em Cena em maio deste ano, O Substituto foi comparado ao celebrado espetáculo Apareceu a Margarida (1973) de Roberto Athayde, por abordar a questão da educação diante de um cenário político tão decisivo para os rumos da sociedade. “Recentemente pensei em fazer uma feira brasileira de opinião, nos moldes da feira feita por Boal e Guarnieri e Plinio Marcos e quando assisti a essa peça tive a certeza da função política que o teatro ainda exerce”, disse o diretor e ator Roberto Bomtempo após a apresentação em Tiradentes.

Longe de uma narrativa maniqueísta, o texto de Daniel Porto não conduz o público a um julgamento sobre o que está se vendo e muito menos pretende influenciar em uma possível opinião. Ele apresenta um ponto de vista muito bem argumentado e que toca em questões comuns a qualquer pessoa.

– Durante o processo de construção deste espetáculo, nos alternamos muitas vezes como alunos, professores, e até mesmo diretores. A urgência dos questionamentos diante do atual cenário da nossa educação era enorme. Mas a necessidade de se fazer teatro diante do atual cenário da nossa cultura no país era tão grande quanto. Juntamos nossa coragem e afinidades intelectuais em busca deste pertencimento. Hoje tenho certeza que este encontro que começou em Lady Christiny e agora se estende em “O substituto” era mais que necessário. Pois só arte mesmo para tornar a nossa realidade tolerável – diz Maria Maya.

SERVIÇO
“O SUBSTITUTO”
TEMPORADA: 20, 21 e 22 de setembro
Horário: sexta e sábado às 20h e domingo às 19h
Teatro Arthur Azevedo ( Rua Vitor Alvez, 454 – Campo Grande)
Classificação: 16 anos

Foto: Thyago Andrade

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