A luz no fim do mundo, novo filme de Casey Affleck, foi escrito, produzido, dirigido e
protagonizado pelo recém ganhador do Oscar. A trama se passa num futuro distópico, onde
uma peste se alastrou pelo planeta dizimando toda a população feminina. As poucas
mulheres que sobraram no mundo, obviamente foram condenadas a passar a vida
reproduzindo para tentar equilibrar a sociedade novamente. Nesse meio caótico,
temos o personagem de Casey, o pai, que depois de ter perdido a esposa para a peste, tem a missão de cuidar da sua filha, Rag (Anna Pniowsky), que, por algum motivo, tinha uma imunidade.

Todo o filme se passa contando a história dos dois sobrevivendo em meio a uma sociedade que  caça mulheres. O pai corta os cabelos da menina, lhe veste como um menino e dificilmente fica em contato com outras pessoas, a não ser em casos de necessidade. A incrível interação dos dois personagens principais é algo lindo e emocionante de ver em tela, Casey acaba provando mais uma vez o seu talento no melodrama, e Pniowsky entrega uma atuação extremamente inocente e ao mesmo tempo, madura, de uma criança que teve que se acostumar desde cedo com responsabilidades, porém que tenta desesperadamente preservar sua própria infância.

Apesar da conexão dos dois e da história ter uma premissa interessante, o filme acaba se
perdendo um pouco por se arrastar muito e não acrescentar nada além das mesmas situações: pessoas estranhas se aproximando e os dois tentando escapar. Mesmo que funcione de primeira, a repetição da mesma coisa durante todo o filme, sem intenção de dar mais respostas ao telespectador sobre a peste ou sobre o mundo, faz com que quem esteja assistindo canse em algum momento.

Além disso, é importante problematizar que, mesmo que Affleck faça um bom trabalho como ator e também acabe sendo notado pela sua estreia na direção, temos aqui um filme que fala, principalmente, sobre mulheres. Sobre um pai protegendo sua filha de um mundo que quer devorar e escravizar mulheres, e não devemos esquecer que Casey Affleck tem diversas denúncias de assédio nas costas que foram abafadas e colocadas em um acordo para que as mulheres não fossem a justiça. Então, mesmo que a intenção do ator for das melhores possíveis. Não devemos deixar de questionar os motivos que levaram um homem que teve sua estatueta questionada por conta dessas acusações, criar um filme em que mulheres são o centro das atenções, mas que ele ainda é o salvador da pátria. Temos aqui um filme que nos instiga a questionar, não apenas por sua narrativa, mas pelo contexto social e histórico em que foi filmado.

Foto: divulgação Imagem Filmes

 

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