Quem passar pelo Parque Lage no próximo sábado vai poder conferir a apresentação e exposição do Livro-Performance Decopulagem, da bailarina Aline Bernardi. O projeto, que celebra a artesania, se desdobra em um solo performático e em um livro de prosas poéticas escritas pela artista. O evento integra a programação da Virada Sustentável do Rio de Janeiro, que acontece entre os dias 17 e 20 de outubro em diversos pontos da cidade promovendo ações sustentáveis. O solo será apresentado às 14 horas, em versão itinerante, no bosque do parque, no Jardim Botânico. A entrada é gratuita e a classificação é livre.

O livro-performance Decopulagem se divide em três títeres que conduzem a criação – a Andarilha, a Artesã e a Alfaiate. A Andarilha é aquela que dialoga com os diferentes lugares percorridos, de uma grande capital europeia a uma ecovila no interior de Minas Gerais. A Artesã interage com artistas, as obras e as ideias que marcam ou marcaram a trajetória de Bernardi como performer e bailarina. A Alfaiate pratica a interlocução com a maternidade, tanto na geração de uma vida dentro do ventre materno, como na gestação de processos artísticos.

“Criamos uma dramaturgia adaptável aos diferentes espaços e porosa aos muitos suportes, que se transforma e cria texturas a partir da poética do universo Decopulagem. Todo esse período de investigação me ensinou a acolher os ciclos de morte do processo, aprender a lidar com as transformações do trabalho. É preciso que saibamos abrir essa escuta na vida” convoca a artista, que iniciou a investigação entre corpo e palavra há seis anos.

O projeto se destaca por ser desenvolvido de maneira artesanal, e tanto o livro quanto a produção do solo priorizaram a mão de obra de profissionais locais e utilizam matéria-prima nacional. Componentes essenciais na cena, a trilha sonora original, o figurino e adereços evocam o esmero e a celebração aos processos artesanais que marcam o projeto.

O livro foi montado manualmente pela artista e traz uma proposta de dobradura, graças à produção de uma faca gráfica original, que permite ao leitor dar ao objeto outras formas de uso, transformando-o em um móbile ou destacando alguma página para enquadramento ou presente.

“Decopulagem é como uma janela que se abre, ou uma rachadura que surge em algum muro. Algo que nos leva a uma outra relação com o tempo e o espaço em que vivemos tão intensamente mergulhados, que na maioria das vezes não nos permite percebermos de verdade onde estamos, com quem estamos e o que estamos fazendo” destaca Guilherme Frederico, diretor do solo.

Foto: Divulgação/Helena Cooper

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