Durante o 5 anos, a série “Downton Abbey”, foi um sucesso tanto no Reino Unido quanto no mundo. Criada por Julian Fellowes, conta a história da família Crawley, uma linhagem aristocrática proprietária de um local fictício em Yorkshire, e também seus empregados, a propriedade que nomeia a série. Desde o começo, o roteiro do programa era pautado por eventos históricos finais do séc. XIX e os primeiros do séc. XX, como o naufrágio do Titanic, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa, a relação desses personagens com os eventos das mudanças radicais que estavam vindo é o que torna “Downton Abbey” uma série genial. Agora com o longa-metragem traz Julian como roteirista e também Michael Engler na direção, que dirigiu quatro episódios da série de televisão. Ao invés de ter mais algum evento histórico que afeta a vida dos personagens, o filme é como Downton Abbey afetou a vida de seus moradores, donos e empregados, em definitivo.

 A trama consiste na visita do rei George V, rei da Inglaterra, e sua rainha, que ficariam hospedados uma noite na mansão da família Crawley, com toda pompa e circunstância que uma visita real traz. Um exército de criados que se sentem superiores por serem da família real, que acabam por diminuir os nobres zeladores de Downton.

Claramente, o ponto principal da trama órbita a criadagem da mansão, em como eles são oprimidos pelos serviçais reais (liderados pelo personagens de David Haig) e se vêem obrigados a reagir para defender a honra de Downton. O roteiro traz de volta Jim Carter como mordomo dos Crawley, apesar de seu retorno não servir muito como mordomo, ele tinha o objetivo de permitir que o arco do personagem de Robert James-Collier, Thomas Barrow, tenho sua devida resolução pessoal (não apenas profissional como foi feita na série). Isso revela que o filme em si é um epílogo da série, um capítulo mais longo que põe os personagens em seu devido “final feliz”. Isso também fica claro atrás dos planos de câmera e da fotografia, muito calmos, focados na expressão suaves que os atores, e, principalmente, mostrar a beleza, a glória e o encanto que Downton Abbey é. Quanto a ritmo e tom, este é um elemento que necessita de observações, porque diferente o estilo narrativo humorístico que temos no Brasil, o estilo britânico, de sarcasmo e ritmo constante, pode não agradar o público não habituado a série.

O fato predominantemente, e que age como uma faca de dois cumes, é a necessidade ter assistido a série até o fim para obter a experiência completa. Por mais que sejam feitas rápidas explicações, elas não são o suficiente para que o público leigo dessa história se sinta ligado a ela. Mas quem conhece, e ama, esses personagens vai ter um prato cheio de momentos incríveis, e falas incríveis, outra das características do texto de Downton Abbey. Falas essas que falam até sobre o final da série em definitivo. Por exemplo, os personagens de Elizabeth Govern e Hugh Bonneville conversando entre si dizem: “Elizabeth: Eu amo nossas aventuras.
Hugh: Mas não é divertido quando elas chegam ao fim?”.

Pois toda boa história só é assim, só única, por ter um fim. A joia brilhante da série, Lady Violet, personagem de Maggie Smith tem as melhores falas, sendo uma delas: “Sarcasmo é a pior forma de inteligência”. Além do fato dela passar a coroa para próxima geração, em uma cena repleta de lágrimas. Tudo está bem quando acaba bem, já disse Shakespeare, e tudo está bem em Downton. O final do filme revela o que todos os fãs sabem. Império ascendem e caem, famílias nobres são perdidas e esquecidas, mas Downton Abbey permanecerá.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here