Montagem brasileira com direção e adaptação de André Paes Leme para a obra do norte-americano Tracy Letts, o premiado espetáculo “AGOSTO” retorna aos palcos cariocas. Desta vez, a temporada da peça que recebeu 21 indicações em premiações acontece no Teatro Petra Gold de 11 de outubro a 03 de novembro, de 6ª a domingo às 19h30. Apresentando uma contundente e emocionante história sobre conflitos familiares, a peça emocionou as plateias brasileiras com um enredo sobre o inconfessável, sobre o que fica entalado na garganta e sufoca. A história de uma família desconectada, desfeita, cujos membros insistiram na união o quanto puderam, da forma que puderam, mas que chega finalmente ao limite da desistência.

Apesar de se tratar de um texto denso, forte, há certa descontração na cena, uma divertida recusa em levar-se demasiado a sério, uma tendência a nos passar “rasteiras” cômicas justamente nos momentos que achamos que não há mais espaço para o riso. Peça vencedora dos prêmios Pulitzer de Melhor Drama e Tony de Melhor Texto, a montagem brasileira teve 21 indicações em premiações, sendo vencedora de sete prêmios. Idealização da produtora Maria Siman e realização da Primeira Página Produções, a montagem tem seu elenco composto por Guida Vianna, Letícia Isnard, Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Claudio Mendes, Eliane Costa, Guilherme Siman, Isaac Bernat, Isabelle Dionísio, Julia Schaeffer e Marianna Mac Niven.

Ainda que Tracy Letts tenha construído todos os personagens da peça com complexidade e grande relevância para a trama, Violet (Guida Vianna) e Barbara (Letícia Isnard) são as suas protagonistas. “Violet é uma mulher que vive numa situação limite, literal e metaforicamente falando. Literal porque faz quimioterapia para um câncer de boca e talvez sua morte esteja anunciada. Metaforicamente, porque sua família está se desmantelando: o marido sumiu, as filhas só esperam o funeral para partir e a ela só restará permanecer sozinha aos cuidados de uma empregada que ela não conhece. Barbara é a filha preferida porque Violet a julga a mais inteligente e a mais parecida com ela. Os temperamentos parecidos levam as duas a embates frequentes. Violet guarda profunda mágoa de Barbara porque ela não voltou pra casa quando soube do seu câncer, mas voltou quando o pai desapareceu. A peça conta uma história familiar na extensão de seus conflitos e de seus afetos. E essa família pode servir como espelho reflexivo para qualquer indivíduo”, pondera Guida Vianna, vencedora de quatro prêmios por sua interpretação como a matriarca.

Vencedora de dois prêmios pelo seu desempenho no espetáculo, Leticia Isnard analisa sua personagem. “Barbara é uma mulher forte, que está num momento de total desestabilização. Seu casamento está ruindo, vive em crescente conflito com a filha adolescente, está há muito afastada das irmãs, do pai e bate de frente com sua mãe, Violet. Ela luta para não ter o mesmo destino da mãe: a solidão, consequente de uma personalidade forte, acachapante e agressiva. A tendência de Barbara é ficar igualzinha a Violet. E romper com esse ciclo de infelicidade e violência é também um ato de amor”, pontua a atriz.

Responsável pela primeira montagem do texto no país, o diretor André Paes Leme observa os desafios da história. “O primeiro cuidado que tive com a adaptação foi suavizar o contexto norte-americano da peça. O segundo foi em relação ao realismo acentuado proposto pelo autor. Priorizei as situações de conflito e busquei não valorizar ao detalhe a construção do ambiente de cada cena. Me interessa a complexidade das relações familiares, a intensidade com que depositamos no núcleo familiar tanto um amor inquestionável como também despejamos as angústias e inseguranças das nossas vidas. Textos como esse revelam o quão imprevisível é o comportamento humano”, explica.

“A montagem divide o palco nos cômodos da casa em que se passa a história. A ação passeia por todos os cômodos e a proposta do autor é que o espectador possa ver simultaneamente todos os ambientes. Na nossa concepção, as cenas são sobrepostas: a personagem que está num determinado ambiente estará exatamente ao lado de outra que ocupa outra área da casa. Gradativamente, as diferentes cenas vão convivendo no palco”, pontua o diretor. Se o destino das personagens é inevitavelmente trágico, isso não faz da peça uma tragédia. Tracy usa recursos do melodrama, da comédia de costumes, das sitcoms da televisão norte-americana e do vaudeville, mantendo a unidade formal, a coerência interna e estética da sua obra.

SERVIÇO:
“Agosto”
Temporada: 11 de outubro a 03 de novembro de 2019
Horário: Sexta-feira a domingo – 19h30
Local: Teatro Petra Gold – Sala Marília Pera (Rua Conde de Bernadotte, 26 – Leblon)

Foto: Silvana Marques

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