A fotografia 3×4 é necessária em documentos oficiais, como a carteira de identidade. É como se esta foto representasse tudo o que cada indivíduo é, atestando, materializando, o nascimento do ser humano para a vida neste planeta.

Bere, arquiteto por formação e artista visual autodidata por inclinação, começou a pintar como que por acaso, criando, ao longo do percurso, personagens, sempre numa pose rígida, como se estivessem posando para uma fotografia 3×4. Seu trabalho reflete o comportamento do homem contemporâneo que vive em meio ao excesso de informações e novas tecnologias.

Seus personagens são como nós: eles possuem nomes e características de personalidade que são expressas através dos traços, cores e detalhes inseridos em cada obra. É como se a imagem pintada fosse a fotografia do perfil de cada personagem, criando uma ligação com o mundo de hoje, onde as pessoas se conhecem e se comunicam a maior parte do tempo através da rede e só deixam transparecer o que lhes é conveniente. Criam máscaras ilusórias de uma vida não real, onde os mundos se misturam e se auto iludem.

Suas pinturas são como filhos: eles nasceram de Bere e fazem parte da história e da passagem do artista por este mundo. Assim, depois de criados, eles são apresentados à sociedade e por ela são julgados.

É impossível ser apresentado a uma obra de Bere sem uma reação, seja qual for. E assim como nas relações pessoais, onde criamos, ou não, uma empatia com determinadas pessoas, por motivos diversos e, às vezes, inexplicáveis, o espectador sente o poder dos fortes traços e delicadeza das obras expostas, criando imediatamente uma relação entre o ser e a obra.

Desta forma, as figuras retratam uma mistura de sentimentos e máscaras usadas em nossa natureza humana. Retratam a vida e as relações pessoais. E é esta sensação de identificação de cada pessoa com uma ou mais de suas obras que se pretende mostrar nesta exposição.

Seus personagens têm nome e trazem características humanas e individuais próprias. Cada um tem sua história que se entrelaça com a dos outros, como se todos vivessem numa comunidade.

Por isso, cada tela exposta trará um pequeno texto próprio, em prosa ou poesia, que levará o espectador a perceber os laços entre os personagens, como Carlos Drummond de Andrade o fez em Quadrilha:

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém…”. Bere utiliza na confecção de suas telas tinta acrílica, spray e Caneta Posca. Além das telas, serão expostas reproduções seriadas das mesmas, impressas em Fine Art a jato de tinta mineral sobre canvas Hahnemühle.

Serviço:
Exposição: “Identidade Coletiva”
Visitação: de 11 de setembro a 27 de outubro de 2019
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 19h.
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro.
Tel.: 2253-1580 (recepção)

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