Mistério, drama, suspense. Tudo isso pensado e executado em 2007, porém editado 13 anos depois e com estreia marcada para 31 de outubro. É assim que se resume a história real do projeto Intruso longa de Paulo Fontenelle com Eriberto Leão (intruso), Danton Mello (Pedro), Juliana Knust (Sabrina), Genézio de Barros (Joel), Ingrid Clemente (Yasmin), Charles Daves (Ricardo) e Lu Grinaldi (Virna) no elenco. O antigo (e ao mesmo tempo novo) filme fala sobre uma família que recebe um convidado indesejado. A razão para estar ali todos sabem menos o espectador, e por uma hora e vinte o público tenta desvendar essa obra cinematográfica brasileira.

A demora para que, enfim, o filme fosse lançado e distribuído teve como causa as condições financeiras do diretor que resolveu lançá-lo de forma independente. O baixo orçamento é perceptível no longa. A locação é uma única casa de três andares, e as condições de imagem e som não são das melhores (muitas vezes parecendo que o áudio foi regravado posteriormente e o movimento das bocas propositalmente exagerado para o caso de ser necessário justamente dublar as falas na pós-produção). Cortes abruptos parecem ter sido relevados na edição e as cores tem pouca saturação na tela, provocando sensações de desânimo com todo o projeto.

O elenco, em entrevista, afirma ter aceitado a proposta principalmente por ter ficado tão intrigado com o roteiro, que também é assinado por Fontenelle. Sim, há um grande mistério que move sua curiosidade a permanecer atento, mas ao final, a surpresa não é tão surpreendente e existem alguns furos. Por exemplo a menina Yasmin parece ser mais importante nas decisões do intruso do que realmente é, mas no final, não ter nada a ver com o que o convidado misterioso faz, e todas as cenas brincando de casinha, que poderiam ter sido pistas ou um plano maior para uma construção diferenciada de roteiro, acabam sendo desperdiçadas.

A intenção do filme é tentar provocar a sensação de claustrofobia e medo psicológico, e com certeza é uma tortura assistir a uma hora e vinte de câmeras tremidas. De qualquer forma, a cena de abertura, com closes fechados em cada um dos personagens, passa essa impressão de espaço confinado com maestria. Como é impossível prosseguir somente com closes fechados, logo que o convidado toca a campainha, os closes se tornam mais abertos, mas a falta de um tripé para posicionar e movimentar a câmera com menos movimentos bruscos deixa a desejar e todas as sensações do começo são descartadas, quase precisando de um alerta para quem possui labirintite não focar demais nas cenas com movimentação intensa para não desencadear alguma crise.

Também é incômoda, mas não completamente, a atuação do elenco. O modo como entregam as falas, com tanta pronúncia de cada sílaba tornou o filme pouco natural. De qualquer forma, cada um ali tenta o seu máximo com o que tem para oferecer. Danton Mello e Ingrid Clemente (atriz mirim) são as personalidades que mais se destacam, se esforçando em provocar alguma emoção durante o longa.

Apesar de ser ganhador na categoria melhor filme do Prêmio Fantastik, o longa não chega a ser marcante positivamente. A história mais interessante é sobre o porquê de ter demorado treze anos para ser lançado e o intruso pensamento que fica é “Eu poderia ter feito outra coisa com essa uma hora e vinte que passei aqui”.

Foto: divulgação Pipa Pictures

 

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