Por Claudio Verdugo

Você fala muito sobre nossa cidade e especialmente seu bairro (Tijuca) em suas canções. Qual o significado de ser carioca e tijucana em seus trabalhos?
Letrux – Ah, sinto que tenho uma visão um pouco de fora do Rio, o Rio clássico Zona Sul, por ser tijucana. Estudei teatro na CAL, no Cosme Velho e eu pegava dois ônibus e um metrô pra ir e pra voltar pra casa. Todo esse trajeto me valeu muito, penso hoje em dia. Li livros poderosos, compus músicas, escrevi poesias. O Rio me atravessava e eu ia sentindo e compondo. Sou viciada em ir à praia, mas até chegar lá tem um tempo, risos. Mesmo de carro. Então existe um espaço pro meu voyeurismo de ver as pessoas, a moda, o trajeto, eu gosto muito disso, do caminho.

O amor, as desilusões e os sentimentos não correspondidos são temas constantes em suas composições, isso se repetirá em seu 2° disco?
Letrux – Eu sempre vou falar de amor, de alguma maneira. É um assunto universal, e eu amo o amor, e o desamor, e tudo que fecunda dele, ou apodrece com ele também, eu amo especular sobre amor, casos, histórias minhas, das outras pessoas, pra mim não tem fim. O próximo disco ainda tem muita divagação com esse assunto sim.

Você é muito conectada com literatura e a poesia e até já escreveu um livro, existem planos para um o lançamento de um outro livro?
Letrux – Sim, eu estou terminando um livro de poesias, mas nunca termino direito porque a música tem sido o foco da minha vida hoje em dia, mas literatura é uma paixão absurda, fico muito feliz quando elogiam meus textos e me pedem por mais. Um dia vai vir.

Como é para você se apresentar em grandes festivais a exemplo do Lollapalooza sendo uma artista independente? Como foi esse convite?
Letrux – Ah é sempre uma honra tocar em festivais grandes e honra maior ainda é quando os fãs chegam cedo, comparecem, e ficam felizes de nos ver ali, em meio aos gringos. O Lollapalloza foi muito importante, muita gente me conheceu ali, abriu portas.

Você é sempre muito política em seus shows e nas suas redes e em um recente Stories você comentou que não tem medo de perder patrocínios, você acredita que é importante o artista se posicionar? E o fato de ser uma artista independente te permite uma maior liberdade quanto a isso?
Letrux – Eu acho importante me posicionar e eu gosto de me posicionar, eu sinto tesão em atos políticos, eu amo a luta, sabe assim? Não é pra ficar bem na fita ou nada assim, eu acho importante como cidadã fazer parte da transformação, claro que tenho dias muito frustrantes de pensar “nossa…pra que? nada vai mudar etc”. Mas na maioria dos dias tenho um certo otimismo e fé que me ajudam a enfrentar os leões. Mesmo que eu não fosse artista, eu seria assim, eu sei. Sendo artista, tendo público, acho mais importante ainda.

6. Para encerrar, com o lançamento de “Letrux em Noite de Pistinha” (seu mais novo álbum de remixes), podemos ter mais novidades até o final do ano?
Letrux – Devemos lançar mais clipes do disco, e um single da música Ouro Puro, uma música que temos tocado nos shows já, que a Elba Ramalho gravou em 89.

Fotos: Ana Alexandrino

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