Os príncipes, filme de Luiz Rosemberg Filho, retrata dois homens em uma noite no Rio de Janeiro em busca de sexo e violência, eles contratam duas prostitutas que são obrigadas a enfrentar essa loucura junto com dois.

Se inspirando claramente na vanguarda do Cinema Marginal de 1970, que buscava chocar o telespectador e obrigá-lo a sair de sua zona de conforto, colocando absurdos em telas que geravam um enorme desconforto no público, desde nudez, até drogas, passando por planos enormes e sem intuito nenhum que não seja cansar, Os príncipes se apropria de tudo isso e vai além, retratando de forma crua e real a sociedade brasileira atual, mostrando dois protagonistas que beiram ao grotesco para representar o que mais tem de nojento e opressor no nosso cotidiano.

Trazendo toda a ideia do Cinema Marginal para o contexto político e social que estamos vivendo no momento, o filme tem o interesse de denunciar a desenfreada hipocrisia nacional, baseada na moral e bons costumes que o brasileiro insiste em defender, mas que por dentro esconde uma identidade perversa, violenta e depravada.

É fácil identificar os personagens principais: um rico, que sabe do poder que tem e utiliza isso pra fazer qualquer coisa que quiser, inclusive matar, sair atirando, ameaçar, tudo em busca de um prazer insaciável de violência; um pervertido, que a todo momento busca o sexo e transcende limites para satisfazer suas vontades; e claro, as prostitutas: que a todo momento estão lembrando o público o cenário misógino e capitalista ao qual estão inseridas e são obrigadas a sobreviver.

Os Príncipes, apesar da boa intenção de denúncia social, não é um filme para todos os públicos. Seu teor extremamente provocativo e repulsivo deixa escancarado que é uma obra para um nicho extremamente limitado, que engloba, principalmente, intelectuais e militantes que já estão nessa caminhada de desconstrução há um bom tempo. Ele não é didático, não tem o intuito de agradar, não é clássico nem bonito. É pra fazer pensar e te tirar do mesmo.

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