Ao longo do projeto, 14 participantes foram convidadas a refletir sobre a possibilidade de existência como artistas cujo processo resultou na exposição “Sob a Potência da Presença”, reunindo diversas obras que traduzem o sentimento individual e coletivo de fazer arte enquanto mulher negra.

Com curadoria da cronista, pesquisadora e Mestre em História da Arte, Keyna Eleison, a mostra fica em cartaz no Museu da República do Rio de Janeiro, a partir do dia 15 de novembro até 2 de fevereiro de 2020. o.

As participantes tiveram a chance de conhecer o trabalho de outras artistas negras que já estão no mainstream para que pudessem refletir criticamente e buscar referências para a construção de cada projeto. A turma também fez uma visita guiada ao Museu da República para que as obras criadas dialogassem com o acervo e a história da instituição. O resultado é uma exposição plural, porém, com obras que se complementam. “Apesar de aparentemente semelhante, ao final, o grupo se apresentou muito diverso. Isso mostra o quão importante é termos espaços e movimentos como esse. Como professora e curadora, posso dizer que acompanhar este processo foi uma aprendizagem preciosa”, revela Keyna.

Complementando a mostra principal, no mesmo dia, também será inaugurada a exposição da turma do projeto “AfroGrafiteiras”, formação política através das artes também oferecida pela Rede NAMI. O acervo conta com cerca de 40 telas criadas a partir da técnica do grafite, transportando para a pintura o resultado dos seis meses de encontros onde as participantes debateram sobre quatro temas: a história das mulheres, a história do povo negro, autocuidado e violência contra a mulher (este último sugerido como temática para o trabalho final que estará exposto).

A inauguração, dia 15 de novembro, vai contar com uma mesa redonda com a artista visual paulista Rosana Paulino. Ao lado da curadora Keyna Eleison e de Panmela Castro, a pesquisadora e educadora vai discutir sobre “A Importância de Impulsionar Mulheres Negras na Arte Contemporânea”. Conhecida por sua produção ligada a questões sociais, étnicas e de gênero, os trabalhos de Rosana Paulino têm como foco principal a posição da mulher negra na sociedade brasileira e os diversos tipos de violência sofridos por esta população decorrente do racismo e das marcas deixadas pela escravidão.

Como o título diz, a mesa tem como foco discutir sobre o empoderamento feminino negro dentro das artes e de que forma é possível fomentar a participação dessas artistas dentro do mercado nacional. Para Rosana, embora tardio, esse empoderamento feminino negro está acontecendo no Brasil de forma inimaginável anos atrás, porém, dentro das artes visuais, ainda há muito a ser feito. A pesquisadora destaca o surgimento de jovens artistas que vem discutindo questões raciais específicas, mas que é preciso uma série de ações para dar visibilidade e trazer essa produção para dentro dos museus.

SERVIÇO:
“SOB A POTÊNCIA DA PRESENÇA” (curadoria Keyna Eleison)
Local: Museu da República (R. do Catete, 153. Catete)
Data: 15 de novembro a 2 de fevereiro
Horário: terça a sexta, de 10h às 17h; sábados, domingos e feriados, de 11h às 18h.
Entrada Franca
Censura Livre.

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