Por Tatiane Alves

Ives Rosenfeld apostou na história de dois jovens amigos Júnior (Ariclenes Barros) e Bento (Sérgio Malheiros) para sua estreia nas telonas. Aspirantes’ embora tenha sido exibido no Festival do Rio em 2015, chegou só este ano  aos cinemas.Para além da amizade entre os dois jovens, o longa apresenta o que une os dois rapazes. E o que é capaz de unir dois jovens amigos de uma cidade distante dos grandes centros urbanos e pobre onde na maioria das vezes, a população local é majoritariamente negra?

Ao longo do filme, fica evidente os percalços enfrentados pelos dois jovens. De uma cidade em Saquarema, no Rio de Janeiro, Júnior e Bento sofrem com a dificuldades sócio-econômicas comuns aos meninos que acreditam e vêem o futebol uma  possibilidade de futuro diferente da realidade de cada um.

Bento aos poucos vai se destacando e, é neste momento, que a trama ganha mais voracidade. Outras emoções entram em cena. Com bons enquadramentos, o longa apresenta a evolução dos primeiros sinais da inveja e do orgulho crescente de Júnior, mas deixa a desejar nos diálogos que, ainda sim, se contrasta com uma interpretação viva do ator Ariclenes Barroso. A gente sente a raiva do personagem que em sua realidade teme ser um perdedor. Aliás, quem de nós nunca temeu ser um perdedor? Quem nunca pensou ao menos uma vez que a vida não estava jogando ao nosso favor? Esse possível encontro com o nosso ser humano, este que carregamos dentro de cada um de nós permite o filme ficar muito interessante.

Mesmo que o filme não tenha mostrado toda sua potência narrativa, vale as imagens e as reflexões. Não só essas que nos cabe enquanto indivíduo, mas aquelas que nos inserem no contexto coletivo. O filme apresenta a realidade social, o confronto que é a vida adulta para essa juventude periférica que oras se permite ser e viver a imaturidade da idade e que oras sente a não permissão para estar neste lugar. É nessa pressão social constante que Júnior se desenvolve. Ao lado da mãe, da namorada grávida, do padrasto e do técnico do time que pertence. Ao lado do amigo, Bento.

Reflexões à parte, o texto poderia ser mais trabalhado, justamente, por propor essas e outros pensamentos, mas imagens superam e saltam. É uma experiência imersiva mesmo. Em um ano de vacas magras para o cinema nacional, mas uma vez, dribla e supera as estatísticas. Assim como no futebol, o cinema está vivendo entre a realidade e o sonho, acredito que esta é uma síntese à parte e, portanto, um argumento mais que suficiente para você não perder este filme.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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