De 1948 até 1994, foi instaurada na África do Sul a lei de segregação racial, que separava a população pela raça, mais conhecida como Apartheid. Desde 1913, a África do Sul já institucionalizava políticas que marginalizavam os negros – grande maioria da população do país – implementando leis como a Lei das Terras, que garantia 90% do território para pessoas brancas e apenas 10% para os negros, expulsando as famílias de suas propriedades e excluindo essa população de direitos básicos oferecidos pelo governo. Além disso, em 1949, casamento entre pessoas de raças diferentes era terminantemente proibido pelo Estado.

Foi nesse contexto do racismo institucionalizado e garantido por lei que surgiu Solomon Kalushi Mahlangu, o qual sua história real inspirou o filme Fogo Contra Fogo. Solomon era um estudante que sentiu na pele todos os efeitos da discriminação do Apartheid, depois de sua família ter perdido as terras por causa do governo e ter ido viver em uma situação extremamente precária, seu pai é assassinado pela polícia em uma manifestação. Mesmo tentando se afastar do movimento de resistência por saber da violência cometida pelos agentes do governo, Solomon se revolta pós ser espancado por policiais e ver seus amigos serem derrotados covardemente em um protesto.

Solomon foge de casa e começa a receber treinamento militar para trabalhar ativamente na resistência contra o governo da África da Sul, a chamada ANC (Congresso Nacional Africano). Infelizmente, ele acaba preso e condenado a morte em 1979. A história dele ficou mundialmente conhecida por ter sido sentenciado por crimes que não cometeu, diante de uma corte totalmente racista e parcial. Suas últimas palavras viraram símbolo da resistência: “Diga a meu povo que eu os amo e que eles devem continuar a luta. Meu sangue nutrirá a árvore que dará os frutos da liberdade. A luta continua.”

O filme conta toda a história do jovem, desde seu afastamento da política até o momento de sua sentença. Fogo contra fogo tenta, o máximo (e consegue), mostrar a verdadeira essência do garoto, que trabalhava pra ajudar a família, e teve sua vida e sua juventude destruída para poder ajudar na luta contra um regime que legalizava a exclusão da maioria da população do país, condenando-os a pobreza e a violência.

Fogo contra fogo não é um filme com final feliz, ele denuncia uma época de torturas e morte pelo governo sul-africano. O filme é cruel, mas realista. É fácil perceber porque Solomon se tornou uma figura tão importante na luta contra o Apartheid; sua trajetória como militante e tudo o que ele viveu para libertar o povo da situação em que se encontrava é digno de inspiração. O fim do Apartheid só se deu em 1994, quando a África do Sul realizou sua primeira eleição no qual toda a população tinha direito de votar, elegendo Nelson Mandela como presidente do país.

 

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