Um dos precursores do grafite no Brasil e um dos principais nomes da arte urbana na América Latina, o paulistano Walter Tada Nomura, conhecido como Tinho, abrirá exposição no Paço Imperial. Com curadoria de Saulo Di Tarso, a individual “Os 7 Mares” reunirá 16 trabalhos (15 pinturas e uma instalação) de duas séries complementares do artista, que tem obras espalhadas por muros e paredes de inúmeras cidades mundo afora. A mostra, que ficará em cartaz no Rio até fevereiro de 2020, reafirma o salto formal do grafite na cena da arte contemporânea.

Com formação em Artes Visuais pela FAAP, o paulistano da Zona Norte já expôs em países como França, Inglaterra, Itália, Alemanha, Espanha, Rússia, China, Austrália, Tunísia, EUA e Cuba. Através do projeto ‘Reflexo on Urban Art’, foi convidado a pintar murais em Amsterdã e, em 2006, criou um painel preparativo de grandes dimensões para a Copa do Mundo na Alemanha. Em 2012, conquistou o 2º lugar do prêmio PIPA e hoje integra a Coleção Pinacoteca do Estado de São Paulo.

“Tinho rompeu com regras e influências do grafite americano e passou a pintar mais livremente, experimentando novas técnicas, materiais e suportes; buscando uma estética autoral nas ruas de São Paulo. Por isso, passou a ser considerado o pai do freestyle no Brasil e um dos pioneiros da street art. Durante sua formação, aprendeu a conceituar seu trabalho, buscando um elo entre o que acontecia nas ruas e o que ocupava os espaços formais, os chamados cubos brancos”, afirma o curador Saulo Di Tarso.

Ao migrar sua poética para paredes institucionais, Tinho se mantém fiel às questões sociais e políticas fundantes de sua obra, sem perder de vista o reconhecido domínio cromático. Seu trabalho indoor ganha nova dimensão, não menos arrebatadora, e suas narrativas seguem pautadas pelo acúmulo de informações urbanas. As imagens registradas como diários visuais por onde o artista circula resultam em pinturas, colagens e instalações que estabelecem um diálogo instigante com o espectador.

A série que dá título à exposição teve início em 2012 e é composta por sete pinturas (em torno de 200 x 150cm, cada), que retratam o vasto repertório imagético do artista. As referências dos “Sete Mares” vão de livros, filmes e discos a shapes de skates e brinquedos, passando pela moda. São as profundezas por onde o inconsciente navega e, possivelmente, também naufraga diante dos excessos. Um oceano que evoca tudo aquilo a que Tinho recorreu como fonte. A série – que flui da figuração à abstração – convoca o espectador a se deixar levar pela correnteza e a identificar-se com ela.

“O processo de criação dos sete mares foi um mergulho intenso, uma visita às subjetividades que me constituíram, um processo de pesquisa racional e calculado a partir dos meus acervos íntimos e também de referências externas. Cada tela levou, em média, um ano pra ser produzida. Quando terminei, veio um sentimento de orfandade, uma experiência de abandono… A partir dessa vivência, surgiu a série complementar ‘Desdobramentos’ em que a abstração assume o espaço pictórico com maior protagonismo”, relata o artista.

Serviço:
TINHO ~ OS 7 MARES
Curadoria: Saulo Di Tarso
Abertura: 28 de novembro de 2019, às 18h
A abertura contará com bate-papo entre artista e curador, às 19h.
Local: Paço Imperial (End: Praça XV de Novembro, 48 – Centro)
Visitação: terça a domingo, das 12h às 19h
Encerramento: 16 de fevereiro de 2020
Entrada franca
Classificação livre

foto: Galeria Movimento

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