O ano é 1948, a Hungria foi um dos países que mais sofreu na Segunda Guerra mundial, depois da invasão dos soviético e romenos, os húngaros tentam reestruturar suas vidas. Tanto Aladár (Károly Hajduk) quanto Klará (Abigél Szõke) perderam familiares. Eles se conhecem e desenvolvem uma amizade, mas algo assim pode ser visto com maus olhos.

A obra dirigida por Barnabás Tóth, que também é um dos roteiristas, engloba várias personagens, que perderam parte de suas vidas durante a Guerra, e seus traumas. Elas acabam por se apoiar uma na outra, como  se tentassem preencher o vazio que sentem. A relação de Klará e Aladár é exatamente isso, eles transitam pelo amor paternal, e por um instante pelo romântico. A sensação desse romance estilo Lolita fica presente na primeira interação deles. O filme também é sustentado praticamente por esse plano de fundo do pós-guerra, na presença opressora do Partido Comunista, da espionagem da URSS.

Apesar do roteiro possuir tais pontos positivos, não há uma história. Os personagens não tem amplo desenvolvimento, não há senso de urgência e perigo. Só existem impressões de “pode ser isso” ou “parece ser aquilo”. Não há uma moral concreta, nem um objetivo concreto que justifique a obra. As atuações são boas, os planos de câmara são razoáveis, a fotografia evoca a melancolia cinzenta pós-guerra.

Os Que Ficaram poderia ter sido mas bem aproveitado se fosse um curta-metragem, ainda mais que os personagens relevantes pode se contar com uma mão. Uma história mais direta teria sido muito mais receptiva.

Mostra Expectativa 2019

 

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