O diretor Robert Eggers ganhou certa notoriedade com A Bruxa, em 2015, e o longa de horror foi mundialmente premiado. Agora ele ressurge com O Farol, em uma proposta ainda mais ousada. Ambos os personagens de Willem Defoe e Robert Pattinson, respectivamente, Thomas Wake e Ephraim Winslow, são faroleiros. Os dois tem que cuidar e preservar um farol de uma ilha a alto mar, ficar tanto tempo em um pedaço de pedra abandonada por Deus no meio do mar, sozinho e isolado, começa a afetar a mente de qualquer homem.

Sendo mestre do horror, Eggers, criou uma atmosfera de loucura neste longa deste o princípio. Os personagens chegam na ilha repleta de névoa, um ponto completamente esquecido do mundo. Thomas é o verdadeiro faroleiro, que cuida da luz do farol durante a escuridão da noite, enquanto o zelador, Ephraim, cuida dos serviços gerais (alimentar a fornalha, manutenção da casa e do farol e por ai vai), deixando claro uma relação de poder estabelecida. Apesar da história em si ser repleta de signos, o que logo iremos decorrer sobre, o importante aqui é atuação dos dois. Defoe é praticamente o Capitão Ahab, sem sua Moby Dick, o estereótipo do marinheiro barbudo, manco e que conta histórias sem parar. Pattinson é o personagem de mistério, sob o qual é o que mais sofre com a loucura que toma posse de sua mente, ele é atormentado por culpa e desejo reprimido. Os dois são opostos e espetaculares em seus papéis.

Como dito, o foco é atuação, porém o roteiro é tão entrelaçado nessas atuações que tem tanta importância quanto. O fato de Thomas contar tantas histórias, ou todas as suas falas serem pura poesia, serve para marcar as características do personagem. Ambos os personagens são obcecados pela luz do farol, esse signo, a luz, é o poder sobre aquela lugar, pois aquela ilha só é relevante pelo farol. Existe também uma membrana de tensão sexual misturada ao desejo reprimido que surge na sereia, que Ephraim vê constantemente. Essa figura é na verdade uma figura sexual que os homens do mar criaram como fantasia, o que acarreta em relações homossexuais muitas vezes, também presente no filme de maneira sutil. E a relação de poder do filme também se refere ao sexo, porque o próprio ato sexual está ligado ao poder.

A história, o estilo do texto, assim como a própria ambientação é baseada na obra de Herman Melville, autor de “Moby Dick”. Além de também usar fatos retirados de diários de faroleiros. O que já se tornou característico de Robert Eggers, pois A Bruxa era baseado nos relatos de bruxas durante a era colonial da Nova Inglaterra. O longa é em preto e branco, técnica muito bem usadoa, brincando com o contraste e com as sombras. Os planos de filmagem relembram muito o estilo Impressionista do cinema, mesclando imagens e usando planos subjetivos. Também há influência Surrealista, apesar deste estar mais ligado ao roteiro.

Muito similar ao passo que muito diferente ao irmão, o novo filho de Robert Eggers, O Farol, é uma obra de arte em sentidos visuais, narrativos e subjetivos. Filmes como esse são o que fazem do cinema a Sétima Arte.

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