Duas vezes ganhador do Oscar de Melhor Ator, Tom Hanks, é um dos atores mais amados de Hollywood, não só por seus papéis, mas como sua personalidade cativante. Em Um Lindo Dia na Vizinhança, ele interpreta um dos ícones infantis dos EUA, Fred Rogers. Mrs. Rogers foi um grande pedagogo e apresentador de TV infantil que ensinava ao público como lidar com temas polêmicos como morte, divórcio, raiva, culpa. Em contraponto, Matthew Rhys interpreta Lloyd Vogel, o típico jornalista cínico, e até pessimista, que tem vários problemas de infância. O jornalista conhece Rogers para criar um perfil curto sobre, até então percebe como o apresentador é um ser complexo, e nem imagina como ele mudará sua vida.

O filme é baseado na obra de Tom Junod, “Can You Say … Hero?”, que conta a amizade de Junod com Rogers. Aos que pensam que o longa é sobre Mrs. Rogers, aviso, não é, e sim como seu trabalho e atitude influência a vida dos outros. Todas as atuações dos principais, Hanks e Rhys, apesar de excelentes, são lineares. Ou seja, elas não tem grandes mudanças, mantém-se na mesma linha. No caso de Tom Hanks, tanto o roteiro quanto a direção deixam claro que a imagem de Mrs. Rogers seria preservada, e mesmo assim, é mostrado seus momentos de raiva e desabafo. Quanto a Lloyd, seu estilo de fala não muda, mas a suas ações e entendimento, sim.

O roteiro, de Micah Fitzerman-Blue e Noah Hapster, cria toda a narrativa como se fosse um episódio de Mrs. Rogers Neighborhood, porque, na verdade, a intenção é ensinar o público a entender os seus próprios sentimentos. Isso fica óbvio quando Rogers invoca um momento de silêncio para Lloyd pense em todas as pessoas que o moldaram com amor, uma a uma, as pessoas do cenário fazem o mesmo até toda a cena ficar em um silêncio pétreo, e ai Rogers olha para tela quebrando levemente a Quarta Parede. Ele não fala nada, contudo essa ação diz: Isso vale pra vocês também, pensem em quem moldou você com amor. A diretora, Marielle Heller, teve ótimas sacadas ao filmar no estilo da televisão dos anos 90 e 80, com aquela película e aquele formato. Além disso, várias montagens espetaculares de programas em Fred Rogers apareceu são inseridas com maestria.

O tom que a obra traz é de doçura, encantou, em narração realista, mas lúdica também. É lindo, realmente é. O programa de Fred Rogers inspirou uma geração inteira de conteúdo infantil, como o programa As Pistas de Blue, muito conhecido no Brasil. Apesar disso tudo, o filme tem suas falhas, e erros biográficos, mas mantém sua mensagem, e memorial a tudo que Rogers representa, muito claros.

 

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