No dia 16 de janeiro (quinta-feira), às 18h30, o IMS Rio recebe o lançamento do livro O Oriental-Hydrographe e a fotografia, da historiadora e pesquisadora carioca Maria Inez Turazzi. A data (16/1) marca os 180 anos da realização das primeiras fotografias no Rio de Janeiro, tema abordado na publicação.

No dia do evento, às 20h, a autora participará de um debate com Pedro Vasquez, fotógrafo e pesquisador, Daniel Sosa, diretor do Centro de Fotografia de Montevideo, e Paulo Knauss, diretor do Museu Histórico Nacional. A conversa será mediada por Sergio Burgi, coordenador de Fotografia do IMS.

Editada pelo Centro de Fotografia de Montevideo, a publicação possui versões em espanhol, português e inglês. A impressão e distribuição em português conta com apoio do IMS. O volume relata o percurso do navio-escola francês Oriental-Hydrographe, que partiu da França, em setembro 1839, numa viagem ao redor do mundo. O navio estava equipado com um aparelho de daguerreotipia, processo fotográfico desenvolvido por Louis Jacques Mandé Daguerre e Joseph Nicèphore Niépce, anunciado ao mundo poucos meses antes.

Segundo a autora, a presença do daguerreótipo a bordo “não foi uma decisão improvisada e casual, mas um dos elos de uma complexa rede de interesses comerciais, transações diplomáticas, intercâmbios científicos e mudanças culturais. Os nexos estabelecidos na interpretação dessa experiência convergem para o argumento de que a expedição teve início já com a expectativa de figurar nos anais da história marítima como a primeira viagem ao redor do mundo a empregar a novidade representada pela fotografia”.

A expedição passou por nações como Portugal, Senegal, Brasil e Uruguai, naufragando em águas chilenas, em junho de 1840. Ao longo do trajeto, nos países em que paravam, os viajantes realizavam demonstrações públicas da fotografia, iniciando um movimento de disseminação da invenção pelo globo.

No Brasil, a expedição chegou em 1839, passando por Recife e Salvador, até aportar no Rio de Janeiro. No dia 16 de janeiro de 1840, o capelão do navio, Louis Comte, realizou as primeiras imagens fotográficas do Rio de Janeiro. A demonstração pública foi feita nas imediações do Paço imperial, na atual Praça XV de Novembro. A ação, que gerou bastante repercussão nos jornais da época, foi repetida alguns dias depois, diante do jovem Pedro II, futuro imperador do país.

Ao sair do Brasil, o navio seguiu para o Uruguai e o Chile, onde naufragou, sem deixar vítimas. A história dessa expedição singular é retomada por Turazzi, que reforça o pioneirismo da viagem na difusão da fotografia. Segundo a autora, “as fotos produzidas pela expedição ao redor do mundo, destacando-se as demonstrações no Brasil e no Uruguai, constituem um legado para o patrimônio cultural latino-americano e a cultura visual do nosso tempo”.

A publicação é ilustrada por 160 imagens, incluindo desenhos, pinturas, mapas e algumas das primeiras fotografias dos anos 1830-1840 provenientes de instituições nacionais, como o próprio IMS, e estrangeiras, além de colecionadores brasileiros e uruguaios.

Assim como outras edições do Centro de Fotografia de Montevideo, o livro está disponível em versão online na plataforma ISSUU .

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