No próximo dia 15 de fevereiro de 2020, sábado, o Museu de Arte Moderna do Rio recebe  a exposição “Poça/Possa”, de Ana Paula Oliveira, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes. Pensada especialmente para ocupar o Salão Monumental do museu, a mostra individual exibirá dois trabalhos inéditos da mineira radicada em São Paulo, que pela primeira vez tem sua obra exposta no Rio.

No Salão Monumental, com quase oito metros de pé-direito, Ana Paula propõe o improvável: direcionar o olhar do espectador para o sentido contrário. A intervenção que dá nome à exposição se espalha pelo chão do museu, tomando posse do espaço e condicionando a movimentação por ele. Poça/Possa se estrutura a partir de quase 40 dormentes de madeira, desses usados como estacas improvisadas que escoram construções condenadas, prestes a ruir. Apoiados nas paredes e no chão, pressionam placas de vidro (de dois metros de comprimento), umas contra as outras, formando grandes poças de graxa. Materiais e ferramentas como borracha, sargentos, cunhas, argila e cabos de aço oferecem sustentação ao vidro diante da pressão de duas toneladas de material viscoso.

“Meu trabalho discute, entre outros aspectos, a relação com o espaço. Pensar uma intervenção para um local onde a arquitetura é tão presente, como no MAM Rio, foi um desafio em dobro. Projetei a obra para ocupar o chão, o que é surpreendente quando se tem escala monumental. Quero questionar o que nos sustenta, no tempo e no espaço. A possibilidade de criar leveza ou densidade, de explorar o cheio e o vazio são disparadores não excludentes que sempre me provocaram”, afirma Ana Paula que, com frequência, desenvolve sua linguagem a partir de referências cinematográficas.

Ao longo de pouco mais de duas décadas, a artista vem construindo uma produção interessada em discutir questões caras ao pensamento escultórico. Peso, estrutura, equilíbrio, massa, a relação com o espaço e com a arquitetura, além da presença física do espectador, são alguns dos princípios que norteiam o uso de materiais tão comuns quanto inusitados. Graxa, mármore, dormentes, pedras, vidro, chumbo, sacos plásticos, peixes, casulos e borboletas, placas de ferro, borracha e sabão compõem o repertório visual de Ana Paula.

Serviço:
“Poça/Possa”
Abertura: Sábado, 15 de fevereiro de 2020, das 15h às 19h, com conversa entre artista e curadores, às 16h, e entrada gratuita
Encerramento:10 de maio de 2020
Local: MAM Rio | Salão Monumental (Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo )
Horários de visitação:
De terça a sexta, das 10h às 17h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Classificação livre

Foto: João Porto.

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