Junto a outros títulos, como “Drácula” e “O Médico e o Monstro”, o livro do mestre H.G. Wells,  “O Homem Invisível” é a mais nova tentativa da Universal com a Dark Universe, mediante ao fracasso que foi o reboot de A Múmia, mesmo com Tom Cruise no elenco. Na obra original, o protagonista descobre uma fórmula que lhe permite ficar invisível, porém ele não consegue mais voltar ao normal, passando então a descobrir não só as vantagens, mas a maldição que ser invisível pode ser. A versão de cinema de 2020 de O Homem Invisível é diferente a partir do momento que seu vilão já é um maníaco abusivo, além de um gênio da ótica.

O roteiro de Leigh Whannell consegue adaptar essa obra do século XIX para um tema muito comentado na década, o relacionamento abusivo, tanto físico quanto psicólogo, que inúmeras pessoas passam, sendo a maioria mulheres. Além dessa trama psicológica, ele adapta também o que torna Adrian invisível, ao invés de uma poção, é um dispositivo que quando o seu funcionamento é demonstrado, o público, que não é subestimado pelo roteiro, consegue entender de imediato como esse dispositivo atua.

Whannell também exerce o controle na direção do longa, que é fantástica. Desde a apresentação do filme, a câmera gasta alguns segundos de tela filmando lugares que parecem vazios, criando assim já a alusão que nós nunca veríamos o vilão, e nunca saberíamos quando eles estaria em tela na maior parte do tempo, enquanto a protagonista, interpretada por Elizabeth Moss, é uma pessoa completamente traumatizada pelo casamento. Moss já é um atriz reconhecida por seu talento como atriz pela série O Conto da Aia, cabe dizer que ela carrega o filme das costas. Em uma cena de puro desespero emocional, ela chora ao chão enquanto a câmera a filme do alto e a trilha sonora dolorosamente impecável de Benjamin Wallfisch, compõe uma cena que só pode ser descrita como uma faca no coração.

Além dessas quadros vazios que a câmera cria, a fotografia opta também por quadros muito apertados, colocando os personagens sempre em um canto, deixando o outro vazio. A fotografia também escolhe uma palheta de cores mais frias, escuras, trazendo muitas sombras, típicas de um bom suspense. A trilha sonora de Benjamin, ela em parte é muito triste, sufocante de verdade, ao passo que consegue ser doce e até esperançosa.

Até o momento, O Homem Invisível é o melhor filme do Dark Universe da Universal, que usa de um elemento fantástico de ficção científica para tratar um assunto real. O final do filme, que faz justiça de uma certa forma, deixa um gosto agridoce, pois é uma opção radical tomada pela protagonista, e por outras pessoas que passam pela mesma situação.

Foto: divulgação Universal Pictures

 

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