Baseado em uma filosofia que rejeita o falso moralismo imposto pela grande sociedade e acredita num mundo mais libertário, sem regras e pressões sociais, Liberté se passa em 1774, anterior a Revolução Francesa, e conta a história de um grupo de libertinos franceses que estão fugindo de um governo conservador liderado por Luís XVI. Com a vontade de exportar seus ideais para mais pessoas, eles pedem ajuda de um famoso Duque para poder recrutar mulheres que também se inspirem com suas ideias.

O filme busca representar uma ideologia que preza pelas vontades da natureza humana, sem pudor, sem tabu e com um toque pesado de misoginia disfarçado de fetiche. O roteiro funciona como uma “caça”, homens procurando mulheres que procuram e fogem ao mesmo tempo deles, quase como um jogo de flerte moderno, mas que se passa no século XVIII e dentro de uma floresta.

Aliás, suas duas infinitas horas se passam quase que 100% dentro de uma floresta em que homens e mulheres procuram satisfazer seus desejos sexuais mais profundos, sem que exista uma entidade que vá punir tais condutas ou um poder social que possa julgar essas escolhas e desejos. A fotografia é composta por apenas alguns pontos de luzes dentro de uma enorme escuridão, que busca complementar o conceito estético de que tudo aquilo que está ocorrendo é proibido, porém também ajuda a deixar as duas horas ainda mais infinitas e entediantes.

O sentimento que passa é que, assim como seus personagens buscavam romper com uma tradição, o diretor, Albert Serra, também buscou quebrar as estruturas clássicas narrativas e produzir algo que conseguisse tirar o telespectador de seu lugar de conforto e pudesse transpassar regras morais em relação a arte e ao cinema, porém o que ele conseguiu foi colocar em tela algo que se aproximaria de um pornô com uma história um pouco mais embasada.

Liberté pode encontrar público em um pequeno nicho de aspirantes a uma arte pós-moderna que querem quebrar padrões, mas não vai além disso.

Foto: divulgação

 

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