Ao se aprofundar no movimento feminista, a poeta e performer Maria Rezende sentiu a urgência de criar um espetáculo que, com potência e humor, mostrasse as forças e fragilidades da mulher contemporânea.

Ao idealizar “Mulher Multidão”, Maria Rezende, que tem um trabalho de 20 anos com a poesia falada, se cercou de referências. Além dos movimentos feministas contemporâneos e em notícias de jornal, a poeta se inspirou em livros como “O Mito da Beleza”, de Naomi Wolf; “Mulheres que correm com lobos”, de Clarissa Pinkola Estés; “Os homens explicam tudo para mim”, de Rebecca Solnit; “Teoria King Kong”, de Virginie Despentes, e na poesia de Adélia Prado, Elisa Lucinda, Viviane Mosé, Mel Duarte, Marina Colasanti, entre outras artistas.

 “Mulher Multidão”, que vai ser apresentado numa live, nas próximas duas quartas-feiras, às 19h, na página do Instagram da poeta, @amariadapoesia. O espetáculo estaria em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, mas foi cancelado devido às normas para conter o avanço do Coronavírus no país.

Temas como amor, autoestima, maternidade, relacionamento abusivo, estupro e a relação com o próprio corpo são levados à cena em poemas autorais dos quatro livros da artista e obras de poetas novas e consagradas.

“Neste momento, nada me parece mais importante do que respeitarmos o isolamento social e ficarmos em casa. O espetáculo nasceu do meu desejo profundo de falar sobre coisas que me tocam, e tem cenário, figurino, luz, mas a poesia não precisa de nada disso. A poesia não precisa de quase nada, e por isso ela é resistência. Então, no dia do decreto de fechamento dos teatros, tive a ideia de apresentar Mulher Multidão através de uma live no Instagram na hora em que estaria em cartaz. Assim, a quarentena nos tirou os toques mas não as palavras, nos tirou os encontros mas não a arte. E ainda criamos a quarentena às avessas, trazendo pra junto gente de todo canto, Brasil afora, mundo adentro”, reflete Maria.

 “Quero jogar luz sobre a constante pressão sofrida pelas mulheres, os ideais inatingíveis de beleza, a exigência da perfeição do corpo e da juventude, a inequidade salarial, a transformação do desejo de “poder ser tudo” na obrigação de “ter que ser tudo”, a violência física, sexual, moral, e também nossas potências, a força do sagrado feminino, a escolha ou não pela maternidade e a delicadeza dos afetos”, enumera Maria.

O projeto começou a ser idealizado após o encontro com a cantora espanhola Amparo Sanchéz, com quem criou a performance poética musical ‘Hermanas’, desdobrada em disco e livro no ano passado. O bem-sucedido resultado do trabalho, cujo fio condutor era a força feminina, motivou Maria a aprofundar seu mergulho artístico no tema.

“Mulher Multidão” é um verso do poema “Pulso aberto”, escrito por Maria Rezende e dedicado ao uruguaio Eduardo Galeano, em que a poeta diz “Somos as que evitam o desastre / as que inventam a vida as que adiam o fim/ mulher, multidão”.

Serviço:
Mulher Multidão – Recital de Maria Rezende
Live no Instagram da poeta: @amariadapoesia
Quartas-feiras, 25/03 e 01/04, às 19h

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