Aleksey Fedorchenko revive a Segunda Guerra pelo olhar de uma menina abandonada.

Em 1941, a Operação Barborrosa foi iniciada pelo comando de Hitler, dessa forma a Alemanha nazista começou seu processo de invasão a URSS. Em meio a assassinatos em massa do povo judeu pelos nazistas, uma criança ressurge da terra preta dos mortos. Ana (Marta Kozlova) é um menininha de 6 anos de idade, que foi a única sobrevivente do massacre feito pelos soldados alemães durante a ocupação de uma área. Ela é auxiliada por alguns camponeses, mas eles logo a abandonam diante do perigo que é abrigar um judeu na guerra. Assim, Ana se vê escondida em uma chaminé sem uso de um comando nazista, completamente sozinha.

O longa de Aleksey Fedorchenko tem alguns pontos positivos, e outros elementos que são apelativos demais, para causar uma ligação emocional direta com a personagem. Começar o filme com uma cena assim é até justificável para introduzir o público ao clima de uma forma rápida e chocante. Contudo, colocar a menina pra ver os soldados com amantes é apelar demais, o público já entendeu que ela está numa situação terrível, não há necessidade de mostrar mais perrengues que ela tem que passar, e ainda mais quando eles não dão em nada.

O roteiro acaba sendo muito inconstante, ora abre mão do maniqueísmo da Segunda Guerra Mundial, sem deixar o lado que apoia, ora escolhe uns caminhos tão óbvios. O final aberto ao invés de criar esperança, só cria dúvida, porque nada indica que Ana vai sobreviver, ou se ela vai morrer. Toda a empatia que temos com a personagem vem muito da atuação espetacular de Marta Kozlova, mesmo sendo tão jovem e  não tendo falado o filme inteiro, o roteiro tem pouquíssimas linhas de diálogo. Aliás, em termos estéticos, o diretor acerta em usar a câmera contra a luz, dando muitas vezes o aspecto de sonho para a cena. Ele também faz uso de cores com pouquíssima saturação, em alusão ao inverno soviético.

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