Daniel Belmonte roda Álbum em Família, de forma remota.

Apesar do isolamento social, um grupo de artistas se junta para ensaiar, virtualmente, uma peça de Nelson Rodrigues. Esse é o mote de Álbum em Família, que começou a ser rodado esta semana no RJ.

Com roteiro e direção de Daniel Belmonte, filme tra no elenco Otávio Muller, George Sauma, Valentina Herszage, Ravel Andrade, Simone Mazzer, Cris Larin, Eduardo Speroni, Kelson Succi e Dhara Lopes, e conta com participações especiais de Renata Sorrah, Lázaro Ramos e Tonico Pereira. A produção é de Clélia Bessa e Marcos Pieri, da Raccord Produções.

A história se passa nos dias de hoje e se desenrola quando decidem planejar a montagem da peça “Álbum de Família” para questionar a ideia da família tradicional brasileira a partir de suas próprias experiências de confinamento durante a pandemia.

Os atores contracenam uns com os outros usando dos recursos que o cinema possibilita (tela dividida, voz off) e as ferramentas que a internet viabiliza (Zoom, WhatsApp, etc). Mas muitas vezes são obrigados a envolver suas próprias famílias no processo.

Os sets virtuais montados nas casas do elenco sofreram interferências da direção de arte, como se fossem locações pela plataforma Zoom. Todo o processo é realizado sem qualquer contato físico entre os membros da equipe e elenco, com exceção da participação especial de familiares dos atores que entram em cena em diversas situações.

Daniel Belmonte usa da autoficção e a metalinguagem para investigar os limites que o isolamento social impõe ao processo criativo do cinema. Ao mesmo tempo, o filme se apropria, certamente, das relações pessoais, profissionais e familiares de cada pessoa do elenco e da equipe para discutir o sentido de família e o senso de coletividade.

Graças a um divertido e instigante jogo cênico, muitas vezes não ficará claro para o espectador o que é ficção e o que é improviso. Álbum em Família também joga luz sobre questões como Racismo, misoginia e machismo para discutir Nelson Rodrigues sob diferentes pontos de vista, sempre separando a obra de qualquer controvérsia que possa ser atribuída ao autor. “O filme é o testemunho afetivo de um momento e um olhar sobre a dramaturgia de Nelson Rodrigues. É possível julgar um autor pelo crivo do mundo de hoje?”, diz o diretor Daniel Belmonte.

Clélia Bessa destaca o modelo inovador da produção. “Estamos rodando um filme remotamente, em isolamento, mas com uma equipe tradicional de cinema. Ou seja, temos fotógrafo, técnico de som, diretor, assistente de direção, e todas as funções clássicas e necessárias no cinema nacional. Mas em um modelo de produção totalmente diferente. Tudo isso nos traz um aprendizado muito grande, que vai ser importante para esses novos tempos”, diz a produtora.

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