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Um Grito Por Liberdade: A indiferença nos laços familiares

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Ser mãe é um ato divino, não a toa inúmeras culturas ancestrais tem por idolatria o sagrado feminino, pois a mulher tem o poder divino de gerar vida, mas criar essa vida é outro ato divino, esse é justamente p cerne da questão em Um Grito Por Liberdade. Ayse (Sumru Yavrucuk) é uma mulher de uma pequena vila na Turquia, e portanto vive um ambiente bem reprimido para uma mulher, personificado na figura do marido dela. E assim que sua filha Nazli (Özge Gürel) nasce, ela se torna o Sol na vida da mãe. Ayse faz o possível, e por muitas vezes quase o impossível, para proporcionar a filha uma vida diferente da que ela teve, uma vida melhor. Porém, como todo filho, Nazli não vê desse forma e um abismo acaba sendo criado entre mãe e filha. O filme trata dessas duas gerações através dos anos e como os laços entre elas são complexos.

Um Grito Por Liberdade é um filme que precisa ser digerido com muita calma, pois ele traz a tona emoções muito fortes. Essa é a primeira característica do longa, um apelo emocional gigantesco. Tão grande que por vezes se torna um defeito dentro da obra, defeito esse que se torna gritante no terceiro ato. O roteiro de autoria tripla de Evren Erdogan, Bener Karaçor e Ayse Balibey Tanil tem de fato um apelo forte, contudo ele é fácil de se relacionar em todos os tipos de cultura. A obra não se fixa em questões exclusivas de mãe e filha, e sim na questão entre pais e filhos. Ou seja, nas relações interpessoais desses laços, e como o excesso disso ou falta daquilo, podem gerar um ruptura irreversível.

Nazli é realmente a razão de viver da mãe, absolutamente tudo na vida de Ayse gira em torno da filha. E quando a jovem é ingrata com a mãe, gera no público um repúdio a ela, apesar dela não fazer absolutamente nada de diferente que já fizemos com nossas mães.  E aí já vemos os dois apelos emocionais: a empatia que sentimos para com a mãe, e a culpa que a filha revela em nós mesmos. Essa é a derradeira qualidade do filme.

Em questões técnicas, o diretor Mustafa Kotan conseguiu escalonar o emocional do roteiro a um nível maior. A trilha sonora, apesar de lindíssima, é uma faca no peito. Uma faca que surge no momento mais oportuno para forçar um choro, e ele acontece, mesmo que no seja no final, ela vai fazer você chorar. Aliás, o diretor tem uma câmera que não sai muito do plano americano, então os quadros são abertos, mas nunca muito, o que permite que as atuações as vezes soem exageradas, mas no geral são de qualidade.

Um Grito Por Liberdade está disponível no Cinema Virtual, certamente, é recomendável ver o filme com uma caixa de lenços de papel por perto, e também num horário que você possa ligar ou abraçar sua mãe, afinal você vai querer, com certeza.

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