Museu questiona cultura em tempos de Covid-19.

O Museu de Arte no próximo dia 28 de agosto, a partir das 10h, promove, durante todo o dia, mais uma atividade em seu canal do YouTube: o “Encontro Diálogos e Confluências”. Aliás, esse será um espaço de reflexão e compartilhamento de informações a respeito de como as práticas de educação, arte, cultura, saúde e políticas públicas se conectam, se atravessam e convergem no cenário da pandemia.

Com o intuito de dar visibilidade a discussões e práticas em prol do combate à covid-19 e refletir a cultura como prática do cotidiano em seus micro-saberes, táticas e estratégias de resistência, o “Encontro Diálogos e Confluências” conta com a participação de nomes como Raull Santiago, comunicador e ativista social; Pâmela Carvalho, educadora, historiadora e mestre de cerimônias do programa MAR de Música; Maria Raquel Fernandes, médica psiquiatra e diretora geral do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea; entre outros especialistas, comunicadores e midiativistas que irão compartilhar com o público, por meio de palestras e debates, suas questões, ideias e ações.

 Confira a programação do “Encontro Diálogos e Confluências”:
10h – Palestra: Políticas de vida e políticas de morte: saúde, antirracismo e relações sociais. Com a educadora e historiadora Pâmela Carvalho
Não somos iguais. E essa desigualdade se manifesta inclusive na hora de morrer. A morte é uma política que se manifesta de forma diferente com indivíduos distintos. Os processos de genocídio de populações negras, o epistemicídio e a falta de acesso à políticas públicas de saúde, expressam algumas faces da morte enquanto marcador social de desigualdade. Diante deste histórico, é necessário pensar: como combater as políticas de morte e como apresentar políticas de vida?

14h – Mesa temática: Desafios da promoção da saúde no impacto da pandemia
Com as professoras da UFRJ Cecília Izidoro e Fátima Lima
Mediação da psiquiatra e diretora geral do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Maria Raquel Fernandes

Mais uma vez a humanidade se depara com uma pandemia que deflagra medo, angústia e o colapso na organização social, tornando a discussão sobre a importância de um sistema público de saúde cada vez mais necessária. O exaurido SUS, heroicamente se tornou o escudo para nos proteger desse inimigo desconhecido. Mas, como capacitar e acolher os profissionais de saúde que estão na linha de frente desse combate? Como prepará-los para lidar com os desafios e expectativas do território e amplificar as experiências de organização comunitária no combate à covid-19? Que análise a interseccionalidade pode nos dar para entendermos os indicadores de saúde e o perfil dos atingidos pelo novo coronavírus? Seriam capazes de produzir novas subjetividades e nos mover da apatia para a transformação social?

16h – Mesa temática: Comitês da vida nas favelas e as tecnologias sociais
Com os comunicadores e ativistas Raull Santiago e Cosme Felippsen
Mediação da educadora e jornalista Gizele Martins

Nesses quase seis meses de pandemia da covid-19 no país, são os comunicadores comunitários das favelas do Rio de Janeiro e de todo o país que têm se auto organizado para levar informações sobre os sintomas e os riscos de contaminação do novo coronavírus. No Rio, essa comunicação interna na favela vem sendo feita das mais diferentes e criativas formas para atender o público: rádios comunitárias, TVs, jornais, sites, artes, carros de som, faixas, cartazes, podcasts, lives, etc. Ou seja, uma união das diferentes plataformas de comunicação para levar aos moradores as informações sobre a doença e todas as consequências da pandemia na favela. Estes mesmos coletivos tem buscando também formas de doarem cestas básicas e kits de higiene para as populações mais vulneráveis. E não para por aí: durante todo esse tempo estes grupos buscaram se comunicar entre si e trocaram experiências, materiais, informações e apoio.

18h – Conferência: A reinvenção da vida e os novos pactos para o bem viver
Com Pastor Henrique Vieira

A reinvenção da vida exige uma decisão individual e coletiva. Trata-se da necessidade de reconhecer o caráter absurdo de uma lógica civilizacional pautada no acúmulo desenfreado de capital, na concentração de riqueza, na desigualdade social, na mercantilização das relações humanas e no ataque sistêmico à Mãe Terra, além dos mecanismos institucionais de violência e massacre de corpos e povos que não cabem nesta cidadania seletiva. Este modo civilizacional massacra individualidades, rouba qualidade de vida, provoca adoecimento e morte. São necessários pactos que apontem para a solidariedade emancipadora, para o cuidado mútuo, para a partilha de bens e para o respeito à diversidade. É preciso resgatar o sentido ético e político do amor como base para a construção do bem viver, uma afetividade política capaz de abrir horizontes mais generosos e plenos para a humanidade.

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