Há exatos 20 anos, o Brasília Brasil Trio, formado por três jovens instrumentistas – Hamilton de Holanda (então com 24 anos), Daniel Santiago (com 20 anos) e Rogério Caetano (com 22 anos) -, registrou uma apresentação na Capital Federal, um ano antes de gravar o álbum “Abre Alas” em estúdio, no Rio de Janeiro.

Agora, esse caloroso encontro ao vivo, que permanecia inédito, ganha as plataformas digitais no formato de álbum digital, via Biscoito Fino. O álbum resgata o início da trajetória de três dos maiores nomes da música instrumental brasileira, em uma seleção que inclui temas autorais e de compositores como Chiquinha Gonzaga, Radamés Gnattali, Hermeto Pascoal, Gonzaguinha, Dominguinhos e Theo de Barros.

A pequena temporada de três noites em Brasília segue vivíssima na memória dos três: “Me dá um frio na barriga lembrar dos ensaios, da gente montando o palco, acertando o som, comendo pão de queijo na casa da mãe do Rogerinho. Que emoção ouvir isso, uma mistura de choro e riso! Que bom que rolou essa parceria com a Biscoito Fino, para que as pessoas possam ouvir esse disco, no qual a emoção está escancarada,”, celebra Hamilton de Holanda. Aliás, Rogério Caetano faz coro: “Foi uma noite maravilhosa. A gente ensaiava, tocava muito, eu me lembro de fazer ensaios de 14 horas! A nossa vida em Brasília era essa, tocar o tempo todo”, recorda.  Por fim, Daniel Santiago completa, “Devemos muito da nossa carreira a esse trabalho, que demandou meses de ensaios e nos fez evoluir muito como músicos. Foram três noites incríveis de muita emoção, casa lotada e aquela sensação de que aquilo era o começo de uma história que estaria por vir”.

O álbum “Brasília Brasil Trio” foi produzido pelo violonista Marco Pereira, com quem Hamilton, Daniel e Rogério tinham bastante contato, por conta dos cursos de verão da Escola de Música de Brasília. “O Marco Pereira sempre foi uma grande referência pra nossa geração. Ele é aquele músico brilhante, cuidadoso, que sentíamos que deveríamos ter como produtor, conselheiro, etc. O Hamilton se aproximou dele primeiro, depois nos conectou”, conta Daniel. “O Marco Pereira participou na concepção do repertório, na parte da mixagem, para encontrar equilíbrio dos sons dos violões e do bandolim”, pontua Hamilton. “Com a experiência de anos de gravações, turnês fora do Brasil, além dos muitos toques e papos, ele nos ajudou muito mesmo, até o final”.

Como músicos, compositores e produtores requisitados para vários projetos, no Brasil e no exterior, além dos inúmeros trabalhos solo ou em colaborações, reunir novamente o Brasília Brasil Trio não é tarefa simples, mas Daniel Santiago é otimista: “Sonhar nunca é demais. O prazer de estar ao lados desses irmãos da música e da vida é imensurável! Vamos torcer!”. Rogério Caetano concorda: “Estamos todos na ativa, produzindo, tocando, tem tudo para acontecer!”.

Se os deuses da boa música ajudarem, esse reencontro incluiria temas como “Cirandeiro” e “Brazulkeira”, na opinião de Daniel. Hamilton sonha com músicas novas para um reencontro, além do tema que Daniel Santiago compôs depois desse disco, chamado “Brasília Brasil”. “A gente nunca pensou em fazer o último show, então, sempre existe essa possibilidade. Se as forças de cada um de nós se reunirem e o universo colaborar, porque não?”, conclui Hamilton de Holanda.

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