Perfis no Instagram terão debates, performances, cenas inéditas, recital, música e dança ao vivo.

Foto: Acervo pessoal

Escrita originalmente para o teatro, o experimento cênico “Stories”, de Camilla Rollemberg, será lançado no dia 30 de outubro, às 21h, no YouTube, e ficará disponível para acesso, mediante contribuição voluntária, até 15 de novembro. No período da temporada, que acontece de 30 de outubro a 15 de novembro e lives às sextas, sábados e domingos, às 21h., o artistas farão Lives às sextas, sábados e domingos, às 21h, no Instagram, em seus perfis e no perfil @storiesemcena, com debates, performances, cenas inéditas, recital, música e dança ao vivo.

Com direção de Liviah Prestes e Thiago Sacramento, o elenco é composto por atores de São Paulo, Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso.  São mais de 20 personagens em “Stories” que traz o retrato tragicômico da vida fragmentada de Joana, presa em sua casa pela pandemia, à tela do celular e aos desejos de todos que a rodeiam, e que exigem dela com cada vez mais intensidade e velocidade. Aliás, adaptar o texto para as nossas atuais circunstâncias não foi uma tarefa que exigiu grandes mudanças, uma vez que a vida da personagem principal, Joana, antes mesmo da pandemia, já era quase inteiramente virtual.

“Através de seu cotidiano fragmentado e digital, tal como se vê hoje em dia por meio dos Stories no Instagram de amigos e personalidades que seguimos, podemos testemunhar as antigas e atuais demandas sobre o feminino (casar, engravidar, manter-se jovem e bela, zelar pela família e amigos, ser bem sucedida profissionalmente), que com os anos apenas se acumulam e se fazem pressionar ainda mais pela tecnologia, e pela expectativa social de que a mulher esteja sempre pronta a servir e satisfazer a todos, sem muitas vezes encontrar espaço para escuta e satisfação pessoais”, conta a dramaturga Camilla.

Sobre a direção, Liviah Prestes conta que trabalham cada um em sua casa: Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Bahia. “O espetáculo mostra como a completa rotina de alguém pode ser real dentro dos limites do retângulo celular. O quanto isso pode ser prejudicial ou libertador. Pensava um cenário claustrofóbico, onde a personagem massacrada por uma multidão de interlocutores e informações online interagia somente com textos, áudios, imagens e vídeos. A pandemia tornou global o drama da protagonista. Além da ausência de contato com a realidade física, Joana sofre da falta dela mesma, vítima da armadilha da falsa independência feminina, que só faz aumentar a cobrança e pressão sob sua existência cujo modo virtual é agora a única forma possível de ser”, completa.

Thiago Sacramento relata que “Stories” permite uma identificação sensorial com Joana, a personagem principal, que discute especialmente o lugar das mulheres hoje, mas também o espaço dos homens, a masculinidade quando exercida de maneira tóxica, e sua igual sujeição à imensa carga de afazeres, excesso de cobranças e expectativas de resultado, todos ampliados pela força da tecnologia, excessiva e opressora.

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