Oito irmãos inseparáveis buscam amor e felicidade na alta sociedade de Londres.

Depois de muita espera da comunidade literária da internet, a aclamada série de livros denominada “Bridgerton”, finalmente, ganha sua adaptação pela Netflix. Os livros foram escritos por Julia Quinn e, ao todo, são 9 edições, nos quais cada um conta uma história diferente. Os oito primeiros volumes dão o protagonismo pra cada irmão da família Bridgerton, enquanto o nono conta com epílogos das histórias anteriores e ainda uma história sobre a matriarca da família.

Os Bridgertons são uma família vivendo na alta sociedade na Regência Britânica, em um momento que uma jornalista anônima resolve escrever, todos os dias, sobre as fofocas que acontecem na época em que mulheres e homens se preparam para cortejar uns aos outros e, se tudo der certo, arranjar um casamento. Nesse contexto, Daphne Bridgerton, a filha mais velha, entra pra sua primeira temporada em busca de um marido e acaba chamando a atenção da jornalista e de todos os pretendentes. Entretanto, apenas um acaba realmente chamando a atenção de Daphne: um duque que está em Londres a trabalho e não tem a mínima intenção de se casar.

A série é um romance de época que tenta trabalhar uma história de amor no século XIX, ao mesmo tempo que também precisa entender as necessidades dos conteúdos do século XXI e apresentar protagonistas femininas que sejam fortes, decididas e interessantes. Por sorte, “Bridgerton” consegue entender essa dualidade no roteiro, colocando Daphne como uma princesa em busca de um príncipe, mas que não abaixa a cabeça ou se coloca numa posição submissa, pelo contrário, aqui, nossa princesa sabe o que quer e luta até o fim pelo seu desejo, mesmo que isso vá contra algumas regras de seu irmão mais velho, que “cuida” da família e até mesmo da sociedade. Mesmo que suas escolhas ainda sejam vistas como conservadoras, pois o sonho de Daphne é casar e ter filhos, a série faz questão de não parar por aí e mostrar outras mulheres da família e seus diferentes desejos, com um destaque para Eloise, uma das irmãs de Daphne, que desde o começo se atém ao seu desejo de querer mais para si do que só um casamento, mostrando profundo interesse na jornalista anônima da cidade que, segundo ela, é um exemplo de independência para as mulheres da sociedade.

“Bridgerton” tem um desafio e consegue superá-lo. A série não só tem uma ótima estratégia feminista, como também se garante em representar a sociedade como ela é: hipócrita, cheia de falhas, patriarcal e faz isso muito bem atrelado ao sarcasmo, a comédia e, é óbvio, ao romance.

É claro que a série tem alguns pontos fracos que, por mais que sua mensagem seja importante e bem trabalhada, também devem ser expostos. Muitas pessoas podem ver como “rasa”, visto que é uma série sobre uma garota que escolhe seguir o que a sociedade espera que ela siga, mesmo que com algumas pedras no caminho que mostrem a força da protagonista, o seu desejo pode acabar não sendo muito convincente em alguns momentos, mas o que, é claro, não tira o mérito e a grandeza da série. Também é muito importante destacar os principais pontos fortes, que são, em primeiro lugar, a direção de arte impecável, principalmente em uma narrativa de época com tantas festas e bailes, toda a decoração, cenário e figurino impressionam o espectador. Além disso, os diálogo emocionam, instigam e conseguem parecer naturais, mesmo com uma outra frase de efeito. E, é claro, a diversidade do elenco, que é um dos melhores pontos da série, que demonstrou um enorme cuidado com a representatividade.

Infelizmente, os bookstans do twitter ainda pretendem dar muito trabalho pra Netflix em busca de adaptações de séries, afinal, ainda falta a seleção, percy jackson, a maldição do tigre e por aí vai. Mas o streaming já entregou um dos mais esperados pelos fãs e deu tudo que a gente queria. Bridgerton já está disponível na Netflix.

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