Home Música Entrevistas Kynnie Williams: ex-“The Voice” assina com selo da Som Livre

Kynnie Williams: ex-“The Voice” assina com selo da Som Livre

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 Cantora revela detalhes de sua trajetória e planos para futuro próximo.

Foto: Alex Santana

 Por Tatiane Alves – Em meio à pandemia da Covid-19, Kynnie Williams, moradora de Macaé, foi entrevistada em uma conversa super descontraída, comigo, ex colega de faculdade (sim, estudamos juntas!). Usando uma máscara fashion de oncinha, short jeans, mochila e uma pequena mala, me deparo com alguém que agora, certamente, é conhecida por muita gente. Engraçado, pois a última vez que a vi, éramos apenas colegas de faculdade. Dividíamos os mesmos anseios quanto a carreira e conversávamos sobre a vida cotidiana. “Saudade das ‘brejas’ no bar”, ela brinca. Antes da gente começar a conversar sobre sua carreira, perguntei se ela lembrava de nosso último encontro. “Sim, foi na faculdade, estávamos meio mal, meio ansiosas” ela disse. Assim, eu e ela passamos alguns minutos dizendo o quanto era incrível nos ver trabalhando exatamente com que gostamos.

Kynnie Williams faz parte de uma leva de artistas que aproveitou o período de quarentena para se lançar. A faixa “Simples Assim”, é seu primeiro single, foi lançada em agosto e marcou sua chegada no cenário musical nacional com um trabalho feito pelo selo Inbraza, da Som Livre.

Ao vivo, Kynnie Williams parece não ter dimensão do sucesso que está fazendo com o trio de canções lançados neste ano, todas muito bem recebidas pela crítica não só pela sonoridade, mas pela maturidade vocal e presença que traz a artista, ex-participante do programa “The Voice”, para o seu devido lugar que é junto das grandes vozes nacional.  Com 27 anos, ela comemora a boa fase!

  Quando foi que você começou a cantar?
Kynnie Williams – O que eu me lembro é que eu e minha irmã cantávamos com meu pai a música “Lobo Bobo” do João Gilberto, mas eu mesma desenvolvi gosto pelo instrumental, adoro instrumentos! Até então, era minha irmã quem cantava. Em 2011, meu pai foi convidado para fazer uma apresentação no Sesi, em uma competição musical feita em parcerias com empresas privadas, porém ele não pode comparecer no evento, mesmo tendo criado uma composição inédita, até que um dia cantando em casa, percebeu-se que eu cantava muito bem, o que me levou a me apresentar no lugar dele na competição. Resultado: ganhei em segundo lugar e o Sesi da minha cidade resolveu desenvolver o trabalho comigo. Eu neguei na hora, mas acabei fazendo esse trabalho… E a Agnes (minha mãe) que já trabalha com música me ajudou nisso.

Em 2013, lancei o “Kynnie in Concert” com 90% do repertório em inglês, no ano seguinte, ainda apresentando o meu show, entrei para o “The Voice”. Até que em 2019, fiz um cover que chamou a atenção do Pablo Bispo e, desde então, começou o processo de pensar nas músicas.

 Existe uma ideia de que se você passar por um programa como o “The Voice”, sua carreira estará a um passo do estrelato. Na vida real, não é assim. O que sua passagem pelo “The Voice” significou para você?
Kynnie – Foi uma boa experiência, me abriu muitas portas e me fez conhecer o mundo artístico. Essa ideia de que sua carreira vai dar certo após um programa como o “The Voice” acontece com uma pequena parte dos participantes, não é com todo mundo. Mas mesmo sim, é diferente da construção de lançar suas próprias músicas.

Foto: Alex Santana

Seis anos se passaram desde o “The Voice” até o momento presente. Foi difícil acreditar que você conseguiria conquistar seu espaço na música?
Kynnie –  Quando eu saí do programa ainda não me sentia preparada para lançar nada autoral, mas fui me desenvolvendo, fazendo shows, experimentando e crescendo. Passei por fases em que eu não me sentia legal, pensava em desistir, mas meus pais, principalmente minha mãe, faziam com que eu me lembrasse da minha trajetória. Aconteceu o contrário também.

Quando “Simples Assim” foi lançado todo mundo vibrou e ficou feliz por mim, mas eu mesma não conseguia achar o meu trabalho recém-lançado tão bom quanto as pessoas diziam que era, nem mesmo quando via os números de ‘views’ subindo nas plataformas de streaming, fiquei extremamente mal. Demorou uns dias até compreender, entender a construção e ficar bem.

Como foi todo o processo de gravação das músicas até o clipe?
Kynnie –  O pessoal do InBraza, da Som Livre, da Liga Entretenimento foram muito ouvintes. Para os clipes, por exemplo, solicitei que tivesse pessoas negras em todas as frentes possíveis do trabalho, eles entenderam. E “Simples Assim” pôde ter a maior parte do elenco preta. Conseguimos trazer a ideia de meninas superpoderosas pretas para o vídeo através da composição das roupas, a dança, o glamour diferente, e o melhor,criamos vínculo.

Nos clipes seguintes, trabalhei com a mesma equipe! Então, ficamos quase que em família durante esse processo. Foi um trabalho tão bonito que resulta numa assertividade enorme para o trabalho final. Tenho enorme gratidão e carinho por todo mundo que esteve comigo e gosto de deixar isso claro para todos que fazem parte desse momento.

 O segundo single lançado em outubro foi “Desculpa os áudios”. É uma canção com uma profundidade diferente das demais?
Kynnie – Sim. É uma música muito importante para mim, pois tem muito de mim nela. Foi aonde eu pude mostrar meu lado mais vulnerável, mais sentimental. Costumo falar sobre minhas vulnerabilidades, mas colocar isso numa canção exigiu uma entrega muito forte.

 O Single “Linda, Chique, Sexy e Braba” foi lançado na sequência no mês de novembro. Sabemos que o Brasil é um país racista e exige das mulheres determinados padrões estéticos. Como é a sua relação com seu corpo?
Kynnie – Eu amo meu corpo, mas tem dias em que eu não consigo me olhar no espelho. Tem dias que eu não consigo me achar bonita, mas aí, converso com pessoas mais próximas, e entendo que um processo de aceitação e de se tratar com carinho. É muito mais que uma questão estética, mas, sim, uma questão de saúde.

“Linda, Chique, Sexy e Braba” é sobre enfrentar isso de frente e se posicionar sobre assuntos como racismo, diversidade e empoderamento feminino.

E como está sendo a repercussão do seu trabalho?
Kynnie – Estes são os meus primeiros trabalhos autorais. Sinto que estou me apresentando no cenário musical como eu mesma e recebendo reconhecimento por isso. Nos primeiros dias após o lançamento de “Simples Assim”, Anitta, Iza, Ana Vilela, Tia Má, Preta Gil, Luana Xavier fizeram comentários positivos sobre. Aliás, ter uma pessoa como a Iza falando sobre meu trabalho é muito importante. Esse apoio é fundamental!

Sou tratada como artista e como referência de representatividade. Isso é algo que eu sempre quis, então, estou tentado aproveitar e viver este momento.

E sobre o futuro, o que podemos esperar?
Kynnie – Almejo voos maiores! Não vejo a hora de voltar aos palcos. Quero cantar no Rock in Rio, no Lollapalooza, mas penso também em ser alguém importante na vida de outras pessoas da mesma forma como a Iza foi importante para mim.

Para finalizar, deixe uma mensagem para os nosso leitores.
Kynnie – Cada um tem a sua hora! Kynnie Williams quer incentivar as pessoas a não desistirem do sonho delas. Eu sei que é muito difícil a caminhada, independentemente, de qual seja o sonho, mas não importa. O importante é continuar seguindo na direção deles, pois quando se concretizar nada vai poder te parar.

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