Projeto visa dar voz e vez a artistas negros periféricos, colocando o antirracismo no centro.

Elaborado para gerar renda para artistas e trabalhadores da cultura e expandir a circulação de um repertório de excelência artística e de pensamento crítico, o evento “QUE BOCA NA CENA? –EDIÇÃO MARÉ” acontece entre os dias 23 e 26 de Janeiro através do canal do YouTube do Museu da Maré.

"Que Boca Na Cena?"
Foto: Jonathan Suhett

A primeira edição do evento na Maré acontece durante três dias com apresentações de artistas negros independentes moradores do Complexo de favelas da Maré, selecionados através de convocatória pública e escolhidos pela curadoria fixa, formada por Juliana França e Natasha Corbelino, e pela curadoria convidada, composta por Renata Tavares, do projeto Entre Lugares, e Claudia Rose, diretora do Museu da Maré.

” ‘Que boca na cena?’ é um projeto que pretende urgentemente se instaurar como prática antirracista continuada, confabulando uma escritura social, estética e financeira que atue para além das hashtags. É uma pergunta, uma ferramenta, uma estratégia, uma plataforma, um programa virtual que tem por objetivo gerar conversas e desmantelar a rota (já viciada) do capital”, explica Natasha, da Corbelino Cultural, idealizadora do projeto.

Em todas as três noites de evento, o grupo anfitrião “Projeto Entre Lugares” abre a programação com uma cena curta. Logo depois acontece a apresentação dos artistas selecionados, seguida de conversa com trabalhadores e estudantes de teatro mareenses, também escolhidos por convocatória. Nos dias 25 e 26, o projeto ainda oferecerá uma oficina de instrumentalização na plataforma Zoom para artistas, técnicos da cultura e professores, como motor para, neste momento, ampliar as possibilidades de geração de renda no novo campo de trabalho que se impõe: o virtual.

“A partir deste edital emergencial pensamos num movimento importante: abrir frestas de remuneração financeira em tempos pandêmicos. Então, criamos um projeto que prevê a circulação de obras e a circulação financeira entre o maior número de pessoas. São muitas as cenas agora. Tanto quanto sempre foram muitas as cenas. É preciso circular pelos acontecimentos – e são muitos os centros. Que boca na cena? A cena de que boca?”, questiona Natasha.

“A relação que a proposta constrói com a pesquisa de linguagem nos impulsionou para articularmos parcerias com instituições onde a educação é matéria essencial, em relação continuada com a cultura. Chegamos, então, ao Museu da Maré, ao Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) e ao projeto Entre Lugares”, pondera. “A programação coloca a arte da favela no foco, o protagonismo local em diálogo e trocas para além do território”, complementa Cláudia Rose.

O evento, por fim, provoca o público num convite a refletir e se deixar afetar. “Realizar o evento na Maré é afirmar que a favela faz parte da cidade e que a cidade depende da favela”, pontua Renata Tavares. “Esta edição na Maré tem me possibilitado um deslocamento outro: sair da invisibilização causada pelas curadorias dos ‘grandes’ editais e viabilizar que corpos pretos, assim como o meu, possam mostrar suas produções artísticas e serem remunerados por isso”, finaliza Juliana.

SERVIÇO:
“QUE BOCA NA CENA?” – EDIÇÃO MARÉ
APRESENTAÇÕES:
DATA: 23 a 25 de janeiro de 2021
HORA: 19h
ONDE: YouTube do Museu da Maré 
DURAÇÃO: 2h (50′ de apresentações, 30′ de falas convidadas, 30′ de conversa com o público)
INGRESSOS: Entrada Franca
OFICINAS:
DATA: 25 e 26 de janeiro
HORÁRIO: 10h às 12h no aplicativo Zoom
MINISTRANTE: Natasha Corbelino
INSCRIÇOES E MAIS INFOS: Instagram @quebocanacena
PARTICIPAÇÃO GRATUITA

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