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Projeto 8X HILDA apresenta leitura dramática online de “O Rato e o Muro”

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O projeto 8X Hilda, que contempla a obra teatral de Hilda Hilst (1930-2004) em ciclo de leituras on-line., apresenta “O Rato no Muro” no dia 14 de fevereiro (domingo, às 18h), ao vivo, pelo canal Curadoria Hilst no YouTube. Aliás, a versão gravada com tradução em Libras vai ao ar no dia 17 de fevereiro (quarta, às 20h) pelo mesmo canal.

O ambiente do colégio religioso, recorrente na obra de Hilda Hilst, aparece em “O Rato no Muro” (1967) ainda mais estreito que na primeira peça, “A Empresa” (A Possessa). Tudo se passa numa capela, onde a Superiora está cercada por nove irmãs, identificadas por letras de A a I. Estão ajoelhadas, e ao lado de cada uma delas, o “chicote de três cordas”.

Cada uma das religiosas expressa visões diferentes, a partir de pequenos abalos ao austero cotidiano do claustro. Irmã H (alter ego da autora) é a mais questionadora e lúcida. Tenta em vão mostrar às outras a necessidade de libertação, representada pelo desejo de ser o rato, único capaz de ultrapassar os limites do muro da opressão e do pensamento único.

A estreia de 8X HILDA aconteceu no dia 7 de fevereiro e a programação segue até 31 de março. O projeto, idealizado por Fábio Hilst, também responsável pela curadoria, comemora os 90 anos de nascimento da escritora paulista, trazendo à cena suas oito peças, escritas entre os anos de 1967 e 1969: A Empresa (A Possessa) (7/2 – Libras: 10/2), O Visitante (21/2 – Libras: 24/2), Auto da Barca de Camiri (28/2 – Libras: 3/3), As Aves da Noite (7/3 – Libras: 10/3), O Novo Sistema (14/3 – Libras: 17/3), O Verdugo (21/3 – Libras: 24/3) e A Morte do Patriarca (28/3 – Libras: 31/3).

8X HILDA propõe um jogo cênico virtual que celebra e explora a dramaturgia hilstiana, criada em pleno período da ditadura militar brasileira. Segundo o idealizador Fábio Hilst, “a dinâmica consiste no mergulho dos quatro atores/encenadores no universo de Hilda, desvendando os textos – e subtextos – e os mais de 60 personagens da obra, para mostrar ao público o processo de estudo de uma peça e o início da construção de personagens e cenas”.

Aliás, a ideia de encenar o teatro completo de Hilda Hilst é uma iniciativa que Fábio, pela produtora Três no Tapa, já havia colocado em andamento, em 2020, com a montagem de “As Aves da Noite”, cuja estreia foi adiada em decorrência da quarentena imposta pela pandemia do coronavírus.

Além disso, produção dramatúrgica de Hilda Hilst, concebida no momento em que o teatro e os artistas viviam sob a censura do regime militar,  é considerada um ensaio para sua obra em prosa da década de 1970, mais livres nos artifícios da linguagem e nas tramas do cotidiano. Seus textos teatrais traduzem a atmosfera claustrofóbica de opressão e os questionamentos ao sistema, representado pela igreja, pelo Estado ou pela ciência. Os personagens, vítimas ou algozes, aparecem em situações limite, presos às estruturas que escravizam e alienam – celas, porões, colégios religiosos ou locais de julgamento e execução de prisioneiros. As máscaras sociais (juiz, carcereiro, monsenhor, papa, madre superiora) são arrancadas por Hilda, que mostra também personagens dotados de almas, tolhidas do seu verdadeiro voo.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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