E se você tivesse uma oportunidade de dar um tempo da sociedade? Ir pra uma ilha isolada, relaxando, apenas com mulheres, aprender mais sobre sororidade e empatia para com as outras mulheres ao seu redor? Parece uma oportunidade única e incrível, difícil de ser recusada. E foi aí que começou a grande aventura de Leah, Toni, Shelby, Dot, Rachel, Martha, Fatin e Nora.

The WildsApós se inscreverem pra um programa chamado “O amanhecer de Eva”, o qual era vendido como um programa de relaxamento para jovens garotas, o avião em que um pequeno grupo de meninas estava cai no oceano. Leah, que começa a série contando seu ponto de vista da história, acorda no meio do oceano e consegue se refugiar numa ilha, onde descobre que estão todas as outras meninas do avião. Ali, elas têm que deixar pra trás tudo que conhecem, família, amigos, amores, status, dinheiro, e aprender a conviver para conseguirem sobreviver.

Quando você lê a sinopse de “the Wilds”, o que parece é ser mais uma série sobre sobrevivência numa selva, ao estilo náufrago, que ao longo dos anos perdeu um pouco da graça para o grande público, porém, ao longo dos episódios, o telespectador percebe que a intenção da série não é falar sobre como a gente sobrevive sozinho, mas sim, sobre como a gente sobrevive aqui, na nossa sociedade.

Cada episódio conta a história de uma das meninas na ilha, nos quais a gente vai descobrindo que a vida depois do acidente do avião não foi destruída, mas sim, que elas acabaram sendo forçadas a refletir sobre o estilo de vida que as levaram para aquele “acampamento” e como cada uma conseguia sobreviver psicologicamente ao mundo fora da ilha.

“The Wilds” faz uma crítica ao padrão de beleza, a busca pela perfeição, a necessidade imposta de um “amor ideal”, fala sobre sexualidade, hipocrisia, e várias outras agressões que perpetuam a vida da mulher na nossa sociedade e como isso mina e destrói a autoestima de milhares de meninas ao longo dos anos.

A série tem duas histórias ocorrendo ao mesmo tempo, uma das meninas na ilha e a outra das pessoas que ficaram fora, além de também contar em flashbacks o passado de cada uma das garotas, o roteiro faz um ótimo trabalho em encaixar a vivência das meninas na ilha com um aprendizado que elas fazem sobre algo do passado, mas não de uma forma escancarada e óbvia como Lúcifer, por exemplo, mas mais amena e emotiva, na qual vai fazendo também quem está assistindo pensar sobre suas próprias alternativas e decisões.

“The Wilds” é uma incrível produção original da Amazon Prime Video, que tem o feminismo como ponto de partida, mas que ousa, além de mostrar diferentes mulheres e o impacto da sociedade em cima delas, fazer também uma crítica á utilização do feminismo por algumas mulheres como ferramenta capitalista, na qual só existe uma verdade e um tipo de libertação feminina que todas nós deveríamos seguir. A série já está disponível na Amazon Prime.

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