Foto: Renato Mangolin

No próximo dia 10 de Abril, às 20h, no YouTube, o Coletivo Muanes Dançateatro estreia “MASK”, um espetáculo de dança Afro Ameríndia Contemporânea que apresenta encontros das máscaras humanas.

Amarradas por uma dança de eficiente corporeidade e temas que se inter-relacionam no amor, sexualidade, vida, relações de poder e afetos nas fronteiras onde se negocia visibilidade e invisibilidade, o espetáculo gravado no Teatro Cacilda Becker é dirigido por Denise Zenicola, que capitaneia o grupo de três bailarinas negras e uma ameríndia com idade entre 20 e 52 anos.

“Desestabilizar verdades preconcebidas e romper com essencialismos são algumas das contribuições do princípio da máscara – e o princípio da dança em MASK, que dialoga ainda com as pautas do feminismo atual no que diz respeito à autonomia do corpo feminino. O universo da montagem é apresentado pela dança, interpretação, o canto e o tambor através de um desenvolvimento não linear do roteiro em ações interdependentes que dialogam e oscilam entre a máscara, o corpo e a estética afro e ameríndia”, sintetiza Denise que, no dia 08 de abril, às 20h, realiza uma live para detalhar o projeto ao público.

O trabalho inédito foi desenvolvido sob a base sólida de uma profunda e minuciosa pesquisa desenvolvida desde 2018 pela professora-doutora Denise. Deste modo, nasceu um espetáculo de dança centrado nas máscaras decoloniais e afro-diaspóricas que cria relações entre corpos e deflagra negociações de pertencimento via Antropologia da Dança a partir dos intercâmbios e relações entre grupos ameríndios e africanos, desde o período colonial brasileiro. Neste trabalho coreográfico, o corpo dança envolto à sua máscara para encontrar um eco particular, um contexto repleto de vivências e memórias.

“Como sou brasileira, todo trabalho se dá com máscaras ameríndias e afro diaspóricas. Quanto mais a gente mistura, melhor, e não é para apagar, mas para assumir esta questão no Brasil. Assim, o conceito da pesquisa se expandiu para máscaras interpretativas, metafóricas, falando tudo isso a partir do olhar das mulheres”, explica.

Nas proximidades entre deuses e performances de pajelança, a máscara é um elemento estético, ritual e ou recreativo que chama atenção. Não podendo simplesmente ser criada como um objeto decorativo, o Coletivo entende a máscara um objeto exato, instrumento de comunicação. Assim, em “MASK” interessa como usá-la na dança, quais gestualidades e materiais devem assumir a realização da cena dançada.

“Na cena há o desenvolvimento de usos e práticas de máscaras e pinturas corporais deslocados para danças atuais em danças afro ameríndias contemporâneas. A máscara confere uma qualidade à artista, feita de luz e sombra, de tons fortes, suaves, de silêncio, de movimentos e pausas, encruzilhadas e contrapontos. Expressa nossa cultura, um modo particular de ser e agir no mundo”, finaliza Denise.

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