“À Margem da Vida” se passa no plano baixo, o subsolo, espaço imaginário compreendido entre o asfalto e o teto de uma ponte. Drama baseado no texto de Tennessee Williams, peça explicita o processo de crescimento pela via da dor.

Frieza e distanciamento visual conferem com o enredo de “À Margem da Vida”. Para vir à público, no palco, a família Wingfield precisa descer as escadas de um cenário cinza e impessoal, como as paredes de concreto dos túneis do metrô. Estamos diante de um núcleo humano em dissolução. Amanda, a célula mater, tenta a todo custo sustentar as aparências se agarrando aos fiapos do cotidiano comezinho.

Laura, a filha envolta em “bolha” de timidez gestada pela perna ligeiramente maior que a outra, pre­fere se abster de tanta hipocrisia e cria seu mundo paralelo, habitado pelos bichinhos de vidro que coleciona desde criança. E um esforço inglório, pois a freu­diana castração materna, aqui, é elevada à potência de morte, simbólica e gradativa.

Recai sobre Tom o varão dos Wingfield, a atitude dissonante. Não se trata de escape machista do autor. Ao contrário, o corte umbilical do filho é questão de sobrevivência. Romper com o de­terminismo do lar constitui etapa das mais difíceis para jovens inquietos diante das possibilidades da vida descortinada pelo tempo.

Serviço:
17/07/2021
Horário: 19h
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos pela Sympla

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