Dois a Duas
Foto: Marina Wang

Sucesso de crítica e super premiado, o espetáculo “Dois a Duas” ganha uma versão audiovisual para tempos pandêmicos, com apresentação em 24 de julho, sexta, às 19 horas, no Youtube da Fundação Cultural Jacareí e no dia 25 de julho, sábado, às 20 horas, o Youtube da Prefeitura de Ilha Solteira recebe também uma apresentação. Aliás, a  programação ainda inclui a FundArt – Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba, no dia 28 de julho, às 21 horas, também no YouTube.

“Dois a Duas” fala sobre a descoberta da sexualidade na adolescência e tem uma presença muito forte da música, com uma trilha que inclui músicas de Nina Simone, Tim Maia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Mc Linn da Quebrada, Cássia Eller e outros.

Bruna Betito, Daniela Flor, Jhenny Santine, Luis Seixas e Luzia Rosa formam o elenco que dá vida a história de Lígia, uma estudante de uma escola particular de São Paulo, na qual sua mãe trabalha como bedel. Por ser a aluna mais dedicada da turma, acaba ficando muito próxima da professora de literatura, Cecília, enquanto sus melhores amigos, Ana e Márcio, vivem uma conturbada relação.

A peça nasceu da vontade da dramaturga Maria Fernanda de Barros Batalha (que é mulher, lésbica e trabalha com adolescentes há cerca de uma década e meia) de falar com o público jovem sobre problemas e questões que sempre afligem adolescentes como amadurecimento, conquista de espaço, descobertas sexuais, racismo, machismo, ética e choque de gerações.

A produção cultural para essa faixa etária é muito escassa no Brasil e parte das referências são, em sua maioria, de outras partes do mundo, o que nem sempre reflete à realidade de um jovem brasileiro. Quando se parte para questões como a descoberta da homossexualidade (ainda mais quando falamos de mulheres), as opções diminuem ainda mais.

“Quando recebi o convite para dirigir a montagem, fizemos uma leitura do texto e surgiu a ideia de alterarmos a história e para falarmos de uma jovem negra. Foi aí que vi que a direção não podia ser assinada só por mim e resolvemos chamar a Mariá para compartilhar essa tarefa”, explica Erica. Mariá completa que, já que estavam contando a história de uma mulher, resolveram também se cercar de profissionais femininas na montagem (o que se repete nessa versão on-line), tendo alguns poucos homens na equipe.

Para as diretoras, transpor o espetáculo dos palcos para as telas não foi tão complicado porque na cabeça delas, “Dois a Duas” sempre teve uma pegada cinematográfica, às vezes funcionando até como videoclipe. Aliás, a principal questão foi como estabelecer a relação que se tinha com o público no palco.

“O público ficava inserido na cena e, dependendo de onde estava sentado, acompanhava uma peça diferente sempre. Na versão audiovisual, nós trabalhamos mais a questão de que os personagens não são maniqueístas e possuem diversas facetas. Ninguém é, essencialmente, mau ou bom. Além do que, em vez de o público acompanhar diferentes versões, ganham diferentes versões de um mesmo acontecimento dependendo do personagem que narra o fato”, conta Érica.

A banda, que na versão teatral era uma das grandes atrações, agora entra no espetáculo de outra forma, como compondo os alunos da escola onde se passa o espetáculo, mas as músicas continuam de maneira forte. A trilha traz músicas que conversam com o universo da dramaturgia, seja pela temática ou pelos intérpretes desde Nina Simone à Mc Linn da Quebrada.

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